4 de julho de 2011

Explosão espiritual...



"A explosão material é destrutiva; a espiritual é criativa.

Se você tentar compreender o significado da explosão espiritual por analogia, não será capaz de conhecê-la. Algo novo, totalmente novo, chega ao ser. Não se pode lhe dar um significado, porque você é o velho, você não pode criá-lo.
Só pode auxiliar negativamente, isto é, estando ausente, não sendo. Se você estiver ausente, então a explosão tomará seu lugar. Sua cooperação só é necessária numa via negativa. (...)

Enfatizamos sempre o velho, nos apegamos sempre ao velho, estamos identificados com o velho, o velho é o "eu". O "eu" é todo o passado, tudo que está morto agora. Assim, como posso auxiliar o novo? Esse "eu" transforma-se numa barreira - o único obstáculo, a única obstrução para o novo entrar. (...) Torne-se consciente de que você não pode auxiliar o novo a entrar no ser. Mas, a menos que o novo entre, não haverá nenhuma espiritualidade. A menos que o novo venha a explodir, você não renascerá, não entrará na dimensão do divino. Não significa que "eu" deva fazer algo; pelo contrário, não devo fazer nada para que esse fenômeno aconteça. Essa insistência em fazer algo, vem do "eu"; projeta o "eu" para o futuro. Então não pode haver nenhuma explosão.

Se todo o passado for destruído, como você viverá? O que fará? Quem será? Se tudo o que vem do passado for deixado de lado, pouco a pouco você sentirá que está desintegrando, desaparecendo. Quando o passado não existe, quem é você? Onde está? Com o quê está identificado?
Se o passado não existir você continuará existindo, mas de um modo novo. Na realidade, você será diamentralmente oposto ao que era antes. Se todo o passado for afastado, você será apenas consciência. Então não poderá ser um ego. O ego é acúmulo de eventos do passado. Será como um espelho, refletindo tudo. (...)

Se você encontrar algo em si mesmo que não possa ser destruído junto como passado, mas que continue, esse algo é a consciência pura, esse é o espaço da consciência onde a explosão acontecerá. Se puder permanecer nesse estado de atenção, compreendendo, isso se transformará em meditação. Então nesse estado o ego será apenas uma camada externa, uma linha divisória. No centro estará a consciência pura.

Permaneça nessa consciência pura, no centro. Não será fácil, será muito árduo e inconveniente, porque nunca permanecemos nela. Sempre corremos para a periferia, a periferia é o ego. Todos os eventos acontecem na periferia, porque apenas minha periferia pode comunicar-se com a sua. Tudo nesse mundo acontece na periferia, na linha divisória. Assim, permanecemos sempre na linha divisória. Ela é o campo de atividade.

Mas o Ser está no centro. Se puder permanecer nessa fenda, nesse espaço - se puder existir no centro, não na periferia, se puder tornar-se consciente de que a periferia é a parte morta, a superfície - o "eu", se perderá, o "eu" periférico é o ego.(...)

A periferia tem sido sua vida, você não conheceu nenhuma outra vida. Por isso sentirá como se tivesse definhando, morrendo, como se tivesse se sufocando. A mente dirá: " Volte para a periferia, a vida está lá".
Mas na periferia não existe vida - apenas ação. Existe apenas o fazer, não o ser. É por isso que quando você não tem nada para fazer, o não-fazer torna-se difícil, tão difícil que você não pode permanecer com ele. (...) Mas o ser é revelado àqueles que permanecem no não-fazer, que podem permanecer no centro. Esse é o significado da cooperação negativa, então a explosão toma seu lugar e acontece a você.

Quando a explosão acontece, você sempre estará no centro. Isso não significa que a partir desse momento você não será capaz de fazer qualquer coisa, não, você será capaz de fazer muitas coisas, mas a qualidade da ação será completamente diferente. Será a partir do centro, um outro tipo de amor será possível, uma outra espécie de atividade será possível.

O amor não será um ato, mas um estado da mente. Não será desse tipo no qual algumas vezes você ama e outras vezes não ama. Será sua própria existência; você será amor. Toda ação, todo relacionamento, terá uma qualidade, um significado, uma profundidade diferente.

Através da explosão, você se tornará desidentificado com a mente, com o ego, com o corpo, com a periferia - totalmente desidentificado. A explosão destrói a identificação. Você não será uma continuação do que havia antes, porque toda continuidade está na periferia.
A explosão não é uma continuidade da periferia; é um salto."
Osho em Eu sou a porta.

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