14 de julho de 2011

O Corpo sofredor...



Hoje queria refletir com vocês sobre um vídeo de Eckhart Tolle, que me chamou muito a atenção: O corpo sofredor, ou o corpo de dor.
(coloco o link abaixo para vocês).

Neste vídeo, ele com sua clareza nos coloca frente a frente com algo tão palpável, tão comum nas nossas vidas, nosso dia a dia, que fica impossível não compreender o mecanismos que está por trás desse tão conhecido corpo sofredor.

Existe no mundo uma verdadeira indústria do medo, do terror, do negativo, que se alimenta da insegurança e da desconfiança das pessoas. Com isso, a estranheza coletiva aumenta, passa-se a se ver inimigo por todo lado, e a mente cria fantasias terríveis por onde passa.
Cenas cotidianas, passam a ter uma conotação de tragédia, e como se não bastasse, o que já era ruim pode piorar, sempre!

Eckhart nos aponta como o corpo sofredor é sedutor...e vai conduzindo aqueles que com ele se identificam a tramatizar mais e mais a sua própria vida e a dos outros. Tudo vira um grande drama, dores, sofrimentos, queixas, reclamações, negatividade...
Quando paramos e refletirmos sobre esse corpo sofredor, o que se vê na verdade, é uma grande encenação, uma dramatização da realidade, apenas isso.

Se formos olhar com olhos puros, sem todas as encenações da mente, veremos que tudo acontece de forma natural, são apenas aspectos, fatos, coisas que lidamos ao longo de nossas vidas, ensinamentos, sem nenhuma gravidade em si, e mesmo que haja realmente gravidade, quanto mais se perde nesse corpo doloroso, só faz aumentar o sofrimento pela projeção que se coloca sobre o simples fato.

Quando caímos em reclamações, em julgamentos de coisas que nos acontecem, com dimensões de nossa vida que não sabemos lidar, e nos colocamos como vítimas, como frágeis e vulneráveis, sacrificados, estamos sem perceber alimentando esse corpo sofredor, que adora essa "grandiosidade", essa "dramaticidade negativa". Não se pode ser igual a qualquer pessoa, não, importante é ser sempre pior, mais sofrido, mais oprimido, mais sacrificado, mais perseguido, mais doente, mais injustiçado... e por aí se vai... o corpo sofredor sendo alimentado...

Se pararmos para observar nossos pequenos dramas, nossos filmes de sofrimento criados por nós mesmos, dia após dia, veremos que esses dramas todos nos dão a ilusão de identidade, a ilusão de que somos importantes, somos mais que os outros. Trata-se de uma armadilha do ego, que precisa manter-se vivo, pelos filmes diários, pelos dramas mentais que criamos para nós mesmos.

Quando mostramos a alguém que ele está aprisionado em seu filme de dor, em seu corpo sofredor, é muito natural que isso seja rejeitado, que esse olhar seja visto como indiferença ou insensibilidade. Pois o que o corpo sofredor mais gosta, é de que seja alimentado com a pena, com o sentimento de que aquela pessoa realmente é uma sofredora e que a vida realmente tem sido injusta demais com ela..
Quando mostramos que não existe isso, de vida injusta, que é tudo ou quase tudo, criação mental da pessoa, que ao invés de simplesmente acolher a realidade e usá-la como trampolim da melhor maneira possível, ao invés de ficar mentalmente aprisionado em histórias dramáticas contadas para si mesmo...o que acontece na maioria das vezes, é sermos mal vistos...pois não pactuamos com aquele personagem sofrido, e pobrezinho...

Levar consciência a esse corpo sofredor é uma tarefa árdua, é verdade. A inconsciência que vivem muitas pessoas, aprisionadas em seus mundinhos sofridos, acreditando que com isso estão sendo vistas, reconhecidas, e até valorizadas, por tantos sacrifícios que fazem, essa inconsciência muitas vezes rejeita qualquer consciência que aponte os pontos obscuros e provoque uma mudança real, de vítima da vida, para senhor, senhora da vida...

Não somos pobres, somos a própria Vida. Somos filhos do Universo, somos a própria consciência divina vivendo experiências humanas. Esta mentalidade negativa, sofredora, é algo que já está por demais desgastado nesse nosso planeta, e mais ainda, nesta época em que vivemos.
Já existe uma nova consciência que enxerga claramente a grandeza de cada ser humano, enquanto totalidade, enquanto divindade. Como ainda é possível ficar-se preso a essa mentalidade pequena, mesquinha, e sem saída, ultrapassada, que transforma a vida em um verdadeiro inferno, sem luz, sem amor, mendigando afeto pela pena? Isso é realmente muito pouco para tamanha grandeza que cada um de nós é em verdade.

Importante lembrar, como nos mostra Eckhart, que mesmo que não alimentemos esse corpo sofredor, ele ainda permanece ali escondido, encolhido. Trata-se de um mecanismo do inconsciente coletivo bastante forte, que todos nós precisamos estar muito atentos. Pois caso descuidemos de atenção, ele pode voltar, e nos contaminar com esses jogos dramáticos. A vigília é constante. A consciência é constante.

Importante estarmos atentos sempre que esse corpo sofredor emergir. Sempre que começarmos a sentir pena de nós mesmos, a reclamar da vida, a perceber apenas o lado negativo das coisas, dos fatos, quando começarmos a perceber a vida, as pessoas pelo olhar da falta, do erro, do juízo, saibamos que o corpo sofredor da mente está começando a ser alimentado. A consciência atenta sobre esses pensamentos e emoções é o melhor antídoto. Como bem nos diz Jesus: "Orai e Vigiai."
Não briguemos com eles, mas identificamos que estamos sendo envolvidos em névoas de negatividade, são nuvens que tentam encobrir o sol, a luz da consciência.

Nesses momentos mais atenção, mais consciência, mais percepção ao momento presente, ao fato, ao que é realmente, ao que está realmente acontecendo. Deixemos as histórias mentais de lado, e nos foquemos aos fatos apenas. Se nos atermos simplesmente aos fatos, e agirmos em função dos fatos, deixando os dramas de lado, só isso já nos terá aliviado em muito o peso dos sofrimentos. E se além disso, alcançarmos a consciência de que tudo o que acontece, está na verdade acontecendo para nossa consciência pura, luminosa, espiritual, que apenas observa tudo acontecer, sem nenhum envolvimento, que tudo é apenas cenas, que surgem e se dissolvem para a consciência que observa; com essa distância criada entre "você" e o problema, cada vez mais ficará mais claro que nada, absolutamente nada, pode nos tocar verdadeiramente. Que tudo acontece como um filme cósmico, onde somos os atores, os diretores, e os roteiristas.

Essa é consciência luminosa total, a consciência do Buda, a consciência livre, que não se abala, que consegue reconhecer o sonho cósmico, e dançar com ele, com cada cena dele...seja ela qual for...
Reflitam sobre isso.
Amor
Lilian

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