23 de outubro de 2013

Além dos "martelamentos" da mente- Satyaprem


"Aqui existe uma outra visão.
E ela não deixa de ser antagônica a tudo o que te é oferecido no mundo. E ela é antagônica por que ela pergunta e viabiliza além da pergunta uma visão.

Nós temos um compromisso, digamos assim, neste local, retornar para essa visão que altera tudo o que foi dito antes, tudo o que você pensa que é, que existe, inclusive você mesmo.

Então, quando tem uma coisa te martelando, é óbvio que este que está sendo martelado, está sendo observado, está sendo visto. E nós podemos perder um grande tempo, ou a vida inteira, tentando resolver os dilemas deste que está sendo martelado,deste que está traindo, deste que está sendo traído, disso, daquilo e daquilo outro.

No entanto, o que eu estou te convidando a ver é esse que está vendo, está sendo martelado. 
De novo, este que está observando este desconforto todo, esse martelamento todo, e veja, é infinita a problemática, não tem ninguém que você encontre que não tenha alguma coisa acontecendo, e referindo-se a si mesmo como objeto percebido, dentro da circunstância. É raro de verdade. Por isso é que o apelo aqui é RETORNA, porque há uma grande possibilidade a gente mude de endereço, mude de discursso, que de uma certa maneira ajeita aquilo que já está posto mas não é valorizado de maneira nenhuma.(...)

Mas de verdade o que ameniza nossa convivência, o que torna tudo mais bonito, mais tranquilo, é a consciência tomada de quem você é.
Você não é aquele que está sendo martelado. Você é a atenção, a consciência, a observação de que tem um martelamento acontecendo.

Veja, todos no mundo concordam: Eu estou sendo martelado; eu estou com problema,; eu estou doente; Todo mundo concorda. No entanto neste contexto aqui e agora, eu vou ter que discordar de você. Não posso concordar com você, porque se eu concordar com você, nós começamos a buscar um alinhamento, para aquilo que em si é desalinho. Quer dizer, isto que está sendo martelado, este que está sendo martelado não é você.

Se você aceita este convite e vê que este que está sendo martelado não é você, qual a necessidade de nós ageitarmos este martelamento?
Veja, martelamentos ou outras coisas avessas, inversas como carinhos, também estão acontecendo para aquilo que não é você.
Eu posso gastar grande energia da minha vida tentando parar com que martelem-me, fazer com que me dêem mais carinho, ou eu observo tudo isso como uma coisa que tem fim, coisas que vêm e vão. 

Se eu me identifico com esse martelamento, sem ponderar quem é que está sendo martelado, ou ainda, quem é que está observando este martelamento ocorrer, eu obviamente aumento a propenção desse acontecimento no tempo.
A simplicidade para entender isso é muito prática de verdade. Se você se opõe a alguma coisa, essa coisa cresce, ela absorve a tua energia. Se você não se opões a essa coisa, ela não tem razão de existir, então ela sucumbe, ela desaparece.

Dado o fato de que acontecimentos tem em si esse fator, aparece e desaparece, vem e vai, ondas. Então eu tenho que estar atento; a coisa está me martelando, por quanto tempo? Enquanto eu estiver identificado com o prego.( risos...)
No momento em que eu tiro o corpo fora, ou seja, que eu saio dessa identidade, o martelo perde a necessidade de existir.

É aquela velha história de que não existe sujeito sem objeto nem objeto sem sujeito.
Então, quando eu tenho um problema, é por que eu existo. Se eu dou uma respirada funda, e olho para o lugar certo e eu desapareço, naturalmente o problema perde substância.

Então lembre-se, o mundo não é mais nada do que a sua própria descrição dele. É você que conjuminou este negócio. Se você se abstém dessa formulação, você tende para esta não-coisa, você tende para este Ser sem descrição, tanto de ti mesmo como  das consequências. Você pode ir nas duas vias se você quiser; Se você para de contar histórias você desaparece, ou se você desaparece a história perde o sentido, não existe história sem um sujeito, sem um agente.

Então, eu entro, eu assumo uma forma, uma identidade e por conseguinte agora tem uma série de enredos que aparecem. Mas o apelo aqui é, veja se você consegue voltar para aquele lugar onde nada disso tem congruência, tem peso.
É tão novo e por ser novo é frágil, que a gente precisa de novo e de novo recuperar isso."
Satyaprem em Satsang

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