14 de maio de 2014

Osho fala sobre Buda 3/4


"Toda a religião de Gautama Buda, pode ser reduzida a uma única palavra. E esta palavra é liberdade. É a essência da sua mensagem, sua própria fragrância. Ninguém mais elevou tão alto a liberdade. É o valor supremo na visão de Buda, o summum bonum; não pode haver mais alto.

E parece fundamental entender por que Buda dá tanta ênfase à liberdade. Não há ênfase em Deus, nem no céu, nem no amor, mas apenas liberdade. Existe um motivo para isso: tudo o que é valioso só se torna possível num clima de liberdade. O amor também só pode crescer no solo da liberdade; sem liberdade, o amor não cresce. Sem liberdade, o que cresce em nome do amor é apenas luxúria. Sem liberdade, não há Deus. Sem liberdade, o que pensamos ser Deus é apenas nossa imaginação, nosso medo, nossa ganância. Não existe céu sem liberdade: a liberdade é o céu. E se você acha que pode existir um céu sem liberdade, é porque esse céu não tem valor nem realidade. É uma fantasia, um sonho.

Todos os grandes valores da vida crescem em um ambiente de liberdade; por isso a liberdade é o valor mais fundamental e também a culminância mais elevada. Se quiser entender Buda, você terá de experimentar algo da liberdade de que ele fala.

Sua liberdade não é a do exterior. Não é social, nem política, nem econômica. Sua liberdade é espiritual. Falando de "liberdade" ele se refere a um estado de consciência isento de qualquer desejo, alheio a qualquer ganância, a qualquer ambição de ter mais. "Liberdade", para ele quer dizer uma consciência sem mente, um estado de ausência da mente. Ela é totalmente vazia, pois se houver alguma coisa, haverá de tolher a liberdade.

Essa palavra vazio - shunyata - tem sido mal compreendida, pois tem uma conotação negativa. Sempre que ouvimos a palavra "vazio" pensamos em algo negativo. Na linguagem de Buda, o vazio não é negativo; o vazio é absolutamente positivo, mais positivo que a chamada plenitude, pois o vazio está cheio de liberdade; tudo o mais foi afastado. Ele é espaçoso; não há mais limites. Ele é infinito - somente num espaço infinito é possível a liberdade. O vazio de Buda não é um vazio comum; não é apenas a ausência de alguma coisa, é a presença de algo invisível.

Por exemplo, quando esvaziamos o quarto, à medida que vamos removendo os móveis, os quadros, e tudo que está lá, o quarto vai ficando vazio, por um lado, porque não há mais móveis, quadros nem objetos, nada ficou lá dentro; mas por outro, algo invisível começa a enchê-lo. Essa coisa invisível é espaço; o quarto se torna maior. À medida que tiramos as coisas, o quarto vai ficando cada vez maior. Quando tudo tiver sido removido, até as paredes, o quarto estará do tamanho do céu.

É esse o processo da meditação: remover tudo; remover tão completamente as coisas de si mesmo que não reste nada - nem mesmo você. Nesse silencio extremo encontra-se a liberdade. 
Nessa extrema quietude brota o lótus de mil pétalas da liberdade. E uma envolvente fragrância é liberada: a fragrância da paz, da compaixão, do amor e da bem-aventurança." [ continua...]
Osho em Encontro com Pessoas Notáveis

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