23 de maio de 2014

Pureza de Coração - Prem Baba


"Pergunta: Prem Baba ji, pranam. Você poderia, por favor, explicar o que é ser puro de coração?

Prem Baba: Um coração puro é um coração que não julga. É um coração
que não acusa que não compara; que não deseja. Um coração puro, aceita;
perdoa. Agradece e ama. Ama de forma desinteressada. Um coração puro é aquele que não se identifica. Ele só observa. O fluxo de vida e de amor não é interrompido. O coração puro se expressa através de uma mente equânime. 


Assiste as misérias e as alegrias e não se identifica. O coração puro é um símbolo, representa o seu eu mais profundo. O coração puro está além dos dramas de controle, que é o jogo da natureza inferior.
Certa vez eu assisti uma cena que me tocou profundamente. Eu estava no templo de Shiva em Nilkant e vi um homem muito simples que estava se
movendo em direção a um lugar para fazer um puja, e para se chegar neste lugar ele tinha que subir uma escada.
Ele escorregou nesta escada e caiu. Eu estava próximo assistindo a cena. Ele se levantou e fez pranam para o degrau da escada que derrubou ele. Eu vi o que se passava na mente dele. Ele entendeu que Shiva estava levando
embora um karma dele. Ele agradeceu.
O coração puro sempre vibra em gratidão. Vê o Universo como um amigo
que está sempre inspirando a evolução. O coração puro está sempre celebrando a vida; celebrando o sol, a lua e as estrelas, o vento, as flores, o
sorriso e também tudo aquilo que se expressa através de um ser humano,
porque ele compreende que tudo é sagrado. Tudo que se manifesta neste
plano são expressões do jogo divino. (...)

Estou te ensinando caminhos. 
Caminhos de volta para casa. E os caminhos ainda não são a sua casa. Os 
caminhos estão te levando para casa.
Para alguns a abordagem do yoga é a mais adequada naquele momento da vida. Para outros a abordagem do tantra é a mais adequada, mas todos os caminhos estão te levando para o testemunhar. A chave é o testemunhar. A técnica é uma ponte. Mas a ponte não é a sua casa.
Em algum momento você vai precisar ir além da técnica. Chega um momento que você tem que abandonar até mesmo a não técnica.

Numa determinada fase da jornada evolutiva é muito importante você aprender a não se identificar com a natureza inferior. Não se identificar com os jogos da luxúria; com os jogos do orgulho, da vingança. Mas para que
você possa não se identificar com esses jogos, primeiro você precisa reconhecê-los, que significa identificá-los. Então, o primeiro estágio do despertar deste estado profundo de sono, é a identificação desses jogos. Identificação no sentido de um reconhecimento. Isso está acontecendo através de mim. Essa identificação ou reconhecimento só é possível se você estiver se observando. Uma auto-observação focada e dirigida. Então, desde as primeiras práticas de yoga, quer seja o yoga corporal ou quer seja o Jñana yoga, eu estou te levando para acordar esse observador, porque se você pode observar aquele eu que está atuando, você não é o eu que está atuando. Se
você pode observar os ciúmes, você não é o ciúmes. Se você pode observar a
inveja, você não é a inveja.

Todo o meu trabalho é para acordar esse observador em você, e fazer com
que ele se fortaleza. Essa observação te leva à desidentificação. Conforme o observador vai crescendo, você começa a reconhecer que você não é aquele eu que está atuando. As técnicas que eu estou lhe ensinando têm o objetivo último de acordar o observador e de se colocar total na ação. Todos os
trabalhos de cura que eu ofereço são para abrir caminhos dentro de você, até que esse observador possa ser tocado. E quando você pode já então observar com distanciamento, você começa a ter notícias do êxtase, porque quando você não se identifica com as nuvens e está focada no espaço vazio entre elas, você começa a ter vislumbres do céu. Mas você pode se identificar também com o êxtase e se existe uma identificação; existe uma dependência; existe um apego e todos os apegos precisam ser cortados, até mesmo o apego ao êxtase, você se torna somente uma testemunha. Testemunha que assiste tudo o que se passa. Esse é um coração completamente puro.
No começo do trabalho sobre si mesmo, faz-se necessário uma técnica. Para quem está começando o yoga é um excelente caminho, porque ele te ajuda a disciplinar a sua mente: desenvolve concentração, desenvolve a sua
firmeza, dá a você um centro. Mas você precisará, em algum momento, libertar-se do apego à técnica. Mas você não deve ir atrás disso, não deve desejar ou buscar por isso. É um amadurecimento da sua própria prática.

É um florescimento.
O tantra é o caminho da espontaneidade; o caminho da aceitação. Nessa visão tudo é sagrado. Se você é humano, é do humano que você precisa começar. Se você é um ser sexual, não há nada de errado, apenas esteja completamente presente ali. As técnicas utilizadas dentro da abordagem tântrica são somente para abrir espaço para a inocência, para a espontaneidade e para a observação.
Para alguns que estão começando, eu também indico o caminho do tantra,
isso depende do perfil do buscador. Depende do momento em que ele se encontra.

Eu compreendi que remédio bom é aquele que cura. Então, o Mestre espiritual é como um médico, ele dá a medicina mediante um diagnóstico. O diagnóstico é a visão espiritual, ele te olha e te enxerga. Vê onde você está e onde você pode chegar. E te dá a medicina para completar esse trânsito.

Na verdade o Mestre te leva de onde você está para onde você deve chegar,
e para isso ele usa alguns instrumentos. Então, os instrumentos são adequados de acordo do momento daquele buscador.

Um instrumento não é melhor que o outro. Um instrumento não é superior
ao outro. Uma medicina não é melhor que a outra. Todas são necessárias de acordo com o momento e a necessidade do buscador, porque o buscador está se movendo dentro do caminho e nesse movimento ele usa veículos, até que
chega um momento em que ele tem que abandonar todos os veículos; chega um momento que ele simplesmente é; que ele se torna a meditação.(...)

Quanto mais você se aproxima de mim, mais eu vou destruindo essa sua fantasia, porque esse ‘eu’ que quer agradar o professor, que quer fazer a coisa certa e que tem tanto medo de fazer a coisa errada, não é você. Sua
mente inferior não está permitindo que você tenha acesso à realidade de quem é você. Esse eu está freneticamente ocupado em querer ser importante,
querer reconhecimento, quer ser amado e, portanto é tão exigente consigo mesmo. É um tirano cruel que exige nada mais que a perfeição. E todo o
sofrimento que ele causa aciona um círculo vicioso de misérias, mas esse
‘eu’ não é você. E você só pode se aproximar de si mesmo, através da observação - a auto-observação e a totalidade na ação. São os dois ingredientes que invocam a presença.

A mente é um lugar de peregrinação. É como se você fosse um rádio que tem
muitas diferentes frequências de ondas passando por você. Desde as frequências de natureza inferior, quanto às frequências de natureza superior. Frequências agradáveis, frequências desagradáveis, mas você precisa ter o poder de mudar de estação. Você escolhe mudar de estação e coloca outra música.

Então, o coração completamente puro é aquele que não se identifica com essas frequências que passam no rádio, só assiste. Em um primeiro momento, faz-se necessário amadurecer o suficiente a ponto de renunciar aos dramas de controle. São todos esses dramas que o falso eu cria para ter controle sobre a vida, controle sobre o outro. Se você pode renunciar esses dramas de controle, você pode compreender que eles nascem de uma ilusão, e que eles em si mesmo são uma ilusão. Mas para isso você precisa de um distanciamento. Você precisa reconhecer e se distanciar. É só assim que você pode realmente começar a se mover em direção à liberdade."
Prem Baba em Satsang

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