25 de setembro de 2014

Agonia e o Êxtase - Osho


"O homem está constantemente indagando, uma indagação contínua. Até a última respiração ele continua crescendo. Até o momento de sua última respiração ele pode mudar todo seu padrão de vida.
Ele pode dar um salto quântico.

Não há nenhuma necessidade de ele continuar seguindo o padrão que seguiu. Até o último momento ele pode sair. Ninguém pode impedi-lo, é sua liberdade. O homem é o único animal na existência que tem liberdade - e, devido à liberdade, existe a agonia.

Agonia, significa: eu não sei quem eu sou.

Eu não sei para onde estou indo e por que estou indo. Eu não sei, o que quer que eu esteja fazendo eu devo fazer ou não. A questão permanece continuamente; nem por um único momento a questão vai embora. O que quer que você faça, a questão está lá: Você tem certeza? Isso é realmente o que você deve fazer? Esse é o lugar onde você deve estar? A questão não o deixa nem por um momento. E isso é tão profundo quanto algo pode ser em você. Toca o âmago de seu ser. Esta é a agonia - o sentido não é conhecido, o propósito não é conhecido, o final não é conhecido. É como se fôssemos acidentais, como se tivéssemos nascidos por algum acidente.

Nenhum outro animal, nenhuma árvore, nenhum pássaro á acidental; eles são planejados. A existência tem todo um programa para eles. O homem parece ser completamente diferente.

A existência deixou o homem totalmente livre.

Quando você se torna consciente dessa situação, surge a agonia. E é auspicioso senti-la. Por isso eu digo que não é uma dor, um sofrimento, uma infelicidade comuns. É muito extraordinário e de um enorme valor para toda a sua vida, para seu crescimento, que você sinta agonia, que cada fibra de seu ser sinta o questionamento, que você se torne simplesmente uma dúvida.

E, naturalmente é assustador. Você é deixado em um caos. Mas desse próprio caos nascem as estrelas.

Se você começar a se encher de medo, se não começar a se encher de medo, se não começar a escapar de sua agonia....Todos estão tentando escapar, encontrando maneiras: apaixonando-se, fazendo isto e aquilo, ficando de algum modo engajado em algo, alguma coisa, porque tem medo. Se houver uma lacuna entre as duas e a dúvida surgir na sua cabeça, e você começar a se sentir agonia, você continua, prossegue correndo; não para. As pessoas começam a correr desde o nascimento e vão assim até a morte. Elas não param, não se sentam à beira da estrada debaixo de uma árvore.

Para mim, as estátuas de Buda e Mahavira no Oriente, sentados em uma postura de lótus debaixo de uma árvore não significam nada histórico. (...) Essas são pessoas que pararam de correr. Estas são as pessoas que saíram da estrada na qual toda a procissão da humanidade está caminhando. São os verdadeiros egressos, os que nunca voltarão para a estrada.(...) A estrada é o mundo, onde todos estão indo para algum lugar, tentando encontrar alguma coisa, e na verdade basicamente tentando se esquecer de si mesmos, porque isso dói. Lembrar-se de si mesmo dói, e a única coisa que todos estão fazendo é ficar engajado, concentrado - na busca daquilo. Tornar-se um pintor, tornar-se alguém e continuar se tornando. Não pare, porque se parar vai tomar consciência de sua dor; a ferida vai começar a se abrir. Então, não lhe dê essa chance; Esta é a estrada.(...)

Agonia é a experiência de que você entrou no mundo como uma placa limpa, uma tábula rasa; nada está escrito nela. Esta é sua face original.

Então, você pode fazer duas coisas. Uma delas é, tendo medo desse vazio, você pode começar a correr atrás de uma coisa ou outra - ganhar dinheiro, poder, erudição, ascetismo, tornar-se sábio, um estudioso, um político - que de alguma forma lhe dê uma sensação de identidade, que de algum modo esconda seu próprio caos interior.

Mas, independentemente do que você faça o caos estará ali e irá permanecer ali. É uma parte intrínseca sua. Por isso, aqueles que entendem não tentam de maneira alguma escapar dele. Ao contrário, tentam penetrá-lo.

Estas são as duas maneiras: ou correr dele, como todos os demais estão fazendo, ou penetrá-lo. Atingir seu próprio centro, não importa quão doloroso, atemorizante possa parecer, mas atingir o centro, porque esse é você. E é bom pelo menos uma vez estar no centro de seu ser.

No momento em que você atinge esse centro, a segunda palavra se torna significativa : êxtase.
O êxtase é a flor da agonia.
A agonia não é contra o êxtase.
A agonia é o caminho para o êxtase.

Você simplesmente tem de aceitá-la - o que mais se pode fazer? Ela esta ali. Você pode fechar os olhos - isso não significa que o sol tenha desaparecido; ele continua lá. E todos estão tentando fechar os olhos; o sol brilha demais. Então, feche completamente os olhos. Esqueça o sol, não olhe para ele. Como se ele não estivesse ali. Acredite que ele não está ali.

Essas pseudo-religiões estão tentando lhe ensinar exatamente isso; tente alcançar Deus, tente alcançar o céu...

Nenhuma delas diz para você para você não seguir ninguém e não buscar nenhum paraíso ou o céu, pois todas elas estão tentando iludi-lo.

Eu digo: encontre a si mesmo, encare a si mesmo. Faça um giro de 180 graus.
Olhe para o caos que está aí, para a agonia que está aí. E se essa for sua natureza, então, por mais dolorosa que seja temos de nos relacionar com ela. E o milagre é: é doloroso passar por ela, mas será maior a bem-aventurança quando você a tiver transposto e atingido o centro de seu ser.

A agonia está em volta do centro, e o êxtase está exatamente no centro. Talvez a agonia seja apenas uma casca protetora - o êxtase é tão valioso que necessita de proteção, e a natureza criou esse muro de proteção - sem falar dos outros. Até mesmo você começa a fugir dele. Quem vai entrar na sua agonia, se você mesmo está fugindo dela?

No momento em que você pensa nela, a agonia parecer ser um dom enorme da natureza. Ela muda sua própria cor, sua fragrância, seu significado. É um muro de proteção, tão protetor que até você começa a fugir dele.

Não fuja de si mesmo, aconteça o que acontecer. A coragem de um homem é julgada pela entrada em seu próprio caos interior. Você é digno de se considerar um ser humano quando atingiu o centro. E a partir do centro, você pode ver seu entorno. Você é bem-aventurado - e não só você é bem-aventurado; vista do centro, toda a existência também é bem-aventurada.

A agonia e o êxtase são dois lados de seu ser. Ambos fazem de você uma unidade orgânica, um todo.

Assim, não estou lhe dizendo como se livrar da agonia.

É isso que as pseudo-religiões vêm lhe dizendo há séculos. Estou lhe dizendo como se relacionar bem com a agonia, como se apaixonar pelo caos.

Quando você se apaixona pelo caos, pela liberdade que o caos proporciona, pelo espaço ilimitado que o caos proporciona, entre nele até atingir o centro.

Encontrar a si mesmo é encontrar tudo.

Então não haverá falta de nada, então não restará nenhuma dúvida. Então, pela primeira vez você terá a resposta. Embora você não possa transmitir a resposta para mais ninguém, você pode comunicar a maneira como você a encontrou.

Essa é a função do mestre. Ele não lhe dá a resposta. Ele não o torna mais sábio. Ele simplesmente lhe mostra o método, como ele se encontrou. Ele o encoraja a dar um salto para dentro de seu caos, para dentro de sua agonia. O mestre é simplesmente uma prova de que você não precisa ter medo. Se esse homem pôde encontrar seu próprio centro, passando por toda a agonia, não há razão por que você também não possa fazê-lo. E quando você conhece o sabor do êxtase, toda a sua vida pela primeira vez, terá algo que pode ser chamado de celestial. Uma nova qualidade surge em você, uma nova chama. Mas essa é a nossa natureza , a natureza de todo mundo."

Osho em A Jornada do Ser Humano

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