19 de setembro de 2014

Sobre o Pensamento - J. Krishnamurti


"O pensamento pode resolver nossos problemas? 
Já resolveu um problema pensando nele? 
Qualquer tipo de problema – econômico, social, religioso – já foi alguma vez realmente solucionado por meio do pensar? 

Em nossa vida diária, quanto mais você pensa num problema, tanto mais
complexo, mais obscuro, mais incerto ele se torna. Não é assim em nossa vida diária real? 

Pensando sobre certas facetas do problema, você pode ver mais claramente o 
ponto de vista de outra pessoa, mas o pensamento não pode ver o problema em sua inteireza, em sua completude, ele só pode ver parcialmente, e resposta parcial não é a resposta completa; portanto, não é uma solução.

Quanto mais pensamos num problema, quanto mais o investigamos, analisamos, discutimos, tanto mais complexo ele se torna. Então, será possível olhar para o problema de modo abrangente, total? Como é possível isso? 

Parece-me que essa é a nossa dificuldade maior, pois os nossos problemas estão sendo multiplicados – há perigo iminente de guerra, há todos os tipos de perturbação no nosso relacionamento – e como podemos compreender tudo isso de modo abrangente, como um todo?

Obviamente, isso só pode ser resolvido quando pudermos olhá-lo como um todo – não em compartimentos, não fragmentados.
Quando isso será possível? Certamente, só será possível quando o processo de pensar centrado psicologicamente – o qual tem sua origem no “eu”, no ego, no fundo da tradição, do condicionamento, do preconceito, da esperança, do desespero – tiver chegado ao fim.[1]

O pensamento como ferramenta fundamental da mente é importante no lugar que lhe cabe, mas não tem importância alguma psicologicamente. 

Psicologicamente o pensamento é uma intrusão, um mal, que aprisiona a consciência humana.
O pensamento é reação da memória, tem origem na memória. A memória é experiência na forma de conhecimento, armazenada nas células do cérebro formando o conteúdo mental que se identifica a si mesmo. Você pode observar o seu próprio cérebro, não precisa se tornar um especialista.
As células cerebrais retêm a memória, sejam de ordem prática, lógica, objetiva, e psicológicas, sejam de ordem cultural, técnica, cientifica, social, econômica etc.etc., e ele, o pensamento é um processo material, não existe nele nada de sagrado, nada de santo, espiritual.
Assim, então, o pensamento criou tudo que temos feito: ir à lua e plantar uma estúpida bandeira lá; ir às profundezas do mar e lá viver; toda a complicada tecnologia e suas máquinas. Criou todos os deuses, crenças, filosofias, toda tradição de cultura. O pensamento foi responsável por tudo isso.
O pensamento também foi responsável por todas as guerras. É isso tão óbvio que você nem precisa fazer perguntas sobre isso. Seus pensamentos dividiram o mundo em Grã-Bretanha, França, Rússia, etc. E o pensamento criou a estrutura psicológica do “eu” e da própria sociedade. Esse “eu” não é santo, não é uma coisa divina, tipo espírito ou coisa assim, apenas uma entidade psicológica formada e identificada pelos próprios pensamentos, que projetando-se nas reações dão continuidade a si própria como tal."[2]

[1] J.Krishnamurti em This Light in Oneself p 56
[2] J.Krisnamurti em The Collected Works vol VI

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