13 de setembro de 2016

Céu e inferno - Osho


"Você diz: Eu estou confuso.
Isso é a mais pura verdade. Mas, eu não estou confuso. Sou absolutamente claro. O meu interesse não é na História, o meu interesse não é no mundo dos fatos: o meu interesse é na revelação da verdade. Seja lá quem tenha sido esse homem, Dionísio, ele era um buda. A prova intrínseca - está nas suas palavras. Essas palavras não podem ter sido ditas por nenhum outro, exceto por aquele que chegou lá.

Esta é a abordagem oriental. O Ocidente pensa demasiadamente em termos de História. "História" significa consciência do tempo. Se este homem existiu ou não; depois quem eram seus pais, em que data ele nasceu e quando morreu, e onde estão as provas de tudo isso.

Vocês ficarão surpresos de saber que o Oriente jamais teve algum tipo de interesse em história, pela simples razão de que história significa tempo. Tempo significa mente. Quando a mente pára o tempo pára. Você pode já ter sentido isso. Quando não tem nenhum pensamento em sua mente, resta algum tempo lá? A procissão dos pensamentos cria o tempo.

Este é o insight mais fundamental da Teoria da Relatividade de Albert Einstein: que o tempo é um fenômeno flexível, ele depende dos humores. Se você estiver feliz, o tempo voa; se você estiver infeliz, o tempo diminui a marcha. Se você estiver sentado ao lado de um moribundo, a noite parece ser quase sem fim - parece que a manhã não vai chegar nunca. E se você estiver sentado ao lado da mulher ou do homem que você ama, aí então, parece que o tempo tem asas - passa voando. As horas passam como minutos, os dias passam como horas, os meses passam como dias.

No que tange ao relógio, não há nenhuma diferença, quer você esteja alegre, triste, feliz, ou infeliz. O relógio gira, indiferente a você. Assim, existem duas coisas a serem lembradas: o tempo do relógio é uma coisa totalmente diferenciada do tempo psicológico; o tempo psicológico está dentro de você.

Einstein não era um meditador, caso contrário a sua Teoria da Relatividade teria atingido picos muito mais altos. Ele dizia apenas: "Quando você está alegra, o tempo passa rapidamente, quando você está miserável, o tempo diminui a marcha". É um grande insight, mas tivesse ele sido um meditador, o mundo teria sido imensamente enriquecido, porque então ele teria dito uma coisa a mais:" Se você está absolutamente sem mente, apenas pura consciência, o tempo pára completamente, desaparece, sem deixar marcas.(...)

Quando Jesus diz que o inferno é eterno, ele está dizendo o que Albert Einstein disse vinte séculos depois: que o inferno é tão doloroso, é uma miséria tão grande que é como se fosse eterno. Ele não é eterno, mas parece eterno.

E para equilibrar isso, você terá de olhar na mitologia hindu: o céu é momentâneo. Daí, então, você será capaz de compreender toda a questão: então ambos os lados dela ficam disponíveis a você. 
O inferno parece ser eterno e o céu parece ser momentâneo. Todos os seus prazeres parecem momentâneos. Mas os prazeres estão fadados a ser momentâneos. Todos os, assim chamados Mahatmas e santos, continuam dizendo isso: que os prazeres são momentâneos. Mas os prazeres estão fadados a serem momentâneos. Mas continua-se pensando que deve haver um prazer que seja eterno. Isso é impossível! Nenhum prazer pode ser eterno e nenhuma dor pode ser momentâneo.
Desse modo, no Oriente, temos um terceiro termo que não é "dor" nem "prazer": é "bem-aventurança".

A bem aventurança é atemporal - ela não é nem momentânea, nem eterna. Ela simplesmente não tem nenhuma relevância para o tempo. Tempo significa história.

Veja bem, o que você vai ganhar, mesmo que venha a saber quem é esse homem, o Dionísio? De que modo isso lhe ajudaria a compreender as afirmações dele? Isso o ajudaria a tornar-se um acordado, a tornar-se um meditador? Não. Você ficaria perdido numa floresta de palavras; você não seria capaz de sair dessa floresta; 

A erudição é uma enorme floresta - na verdade, é a única floresta que ficou no mundo; todas as outras desapareceram. Mas uma vez que se entre nela, não há fim.(...)

Lembre-se bem: que Buda não crê em nenhum paramatman; deve ter sido invenção. Buda não crê em nenhum Deus. "Buda é a pessoa mais divina e contudo, a pessoa mais sem deus". Ele é um dos mais lindos fenômenos que aconteceu na Terra; sem deus e divino ao mesmo tempo.
Mas você está vivendo de coisas tomadas emprestado, e isso acontece. 
Quando se vive a partir de coisas emprestadas, fatalmente você será confundido."
Osho em Teologia Mística

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