21 de outubro de 2012

Totalidade - Tony Parsons

"Tudo o que existe é Totalidade. . . energia sem limites aparecendo como tudo. . . o céu, as árvores, os sentimentos, os pensamentos, o que for. 

É o mistério de nenhuma coisa ao mesmo tempo ser tudo.

Não há nada além do todo sem limites, porém, e porque é livre, ele pode parecer estar separado de si mesmo. . . pode parecer ser a estória de mim. Não há nada certo ou errado nesta aparência, que é plenitude aparentemente acontecendo.

A energia contraída parece surgir no ser humano e cria um senso de separação, da qual surge um senso único de identidade. . . uma consciência de si mesmo. O eu nasce e a estória de mim parece começar. O mim é a história e a história é o mim, e um não pode existir sem o outro. Ambos só aparecem e funcionam numa realidade subjetiva e objetiva dualista. Tudo parece ser experimentado pessoalmente como uma série de eventos em tempo real, acontecendo a um verdadeiro mim. Dentro dessa estória do tempo, o propósito da viagem e a livre vontade e escolha parecem ser reais.

Esse senso de separação não é apenas uma idéia, um pensamento ou uma crença. É uma energia contraída incorporada a todo o organismo que influencia cada experiência. Como conseqüência o mim experiencia uma árvore, o céu, uma outra pessoa, um pensamento ou um sentimento através de um véu de separação. É como se o pesamento mim fosse alguma coisa e todo o resto fosse um monte de outras coisas diferentes acontecendo comigo. 

O que surge deste senso de remoção é um sutil sentimento de insatisfação. Um sentimento de que algo está perdido ou escondido.

Para a maioria das pessoas esta sensação de insatisfação não é tão aparente, e porque acreditam que são indivíduos com livre arbítrio e poder de escolha eles parecem motivados a tentar criar uma história de sucesso. . . bons relacionamentos, boa saúde, riqueza, poder pessoal ou qualquer outra coisa.

No entanto, para alguns há uma maior sensibilidade para algo mais que parece estar faltando. Este sentimento gera o desejo de uma sensação mais profunda de preenchimento. Pode ser uma investigação sobre religião, terapia ou o significado da iluminação. Porque o mim se convenceu de que ele tem meios para influenciar a sua história, ele também assume que pode encontrar um preenchimento mais profundo através de sua própria escolha, determinação e ação.

O mim pode, por exemplo, ir a um pregador ou um terapeuta ou um instrutor de iluminação a fim de encontrar o que ele acha que precisa.

Muitas vezes, porque o mim sente que perdeu alguma coisa, pode haver um sentimento de inadequação, então ele acha que o aprendizado atenderá a necessidade de fazer algo que traga uma transformação pessoal. 

Tornar o mim digno e compensador. Toda esta atividade aparentemente acontece dentro da estória de mim, que funciona numa realidade artificialmente dualista. Então o mim está procurando no finito o que é infinito. É uma coisa a procura de outra coisa, e o que ele realmente almeja permanece inalcançável por já ser tudo. É como tentar apanhar o ar com uma rede de borboleta. Não é difícil, é maravilhosamente impossível. A futilidade essencial da busca inevitavelmente resulta na sensação de um mim que se sente ainda mais desprezível e separado.

No entanto, na atividade de busca podem dar-se experiências, ao longo do caminho, que encorajem o mim a investigar além e tentar mais. 
A terapia pessoal pode trazer uma sensações de equilíbrio pessoal nas estórias. Práticas como a meditação podem trazer um estado de paz ou silêncio. A auto-indagação pode trazer uma experiência aparentemente progressiva de compreensão e reforçada consciência. Mas para a consciência funcionar é preciso algo à parte, para seja realização. 

A consciência simplesmente alimenta a separação, e um estado de desapego pode surgir e ser confundido com iluminação. Todos estes estados vão e vêm dentro da história do mim.

A base de todos os ensinamentos para se tornar iluminado é a idéia de que uma mudança de crença ou experiência pode levar a um conhecimento pessoal da unidade, auto-realização ou de descobrimento da verdadeira própria natureza. Todo o investimento em um caminho de aperfeiçoamento prossegue alimentando a estória do mim em alcançar algo. 

Mesmo a sugestão de entrega pessoal ou a aceitação pode ser inicialmente atraente e trazer um estado satisfatório. . . momentâneo. 

Existem muitos dos chamados "ensinamentos" não-dualistas que alimentam a história do mim em tornar-se liberado.

No entanto, a unidade que se almeja é sem limites e livre. Não pode ser compreendida ou mesmo abordada. Nem há qualquer coisa que precise ser feito ou mudado, ou feito melhor, do que aquilo que já é tudo.

A experiência do mim pode ser muito convincente porque "o mundo" em que este vive parece ser dominado por vários "mins" em várias estórias. Mas a arquitetação de mim é inconstante e não tem nenhum fundamento. Toda a estória de mim é apenas uma dança de totalidade que é sem significado ou propósito.

Uma exposição profunda e intransigente da arquitetação artificial da separação e da história de mim pode aliviar as limitações que a mantêm bloqueada e revelar como a busca só pode reforçar o dilema. A aparente sensação de separação, no entanto, é em sua essência uma energia tão fortemente contraída que nenhum grau de clareza conceitual jamais vai desfazer.

Quando há uma abertura para a possibilidade do que está além da busca de si mesmo, então parece que a energia contraída pode evaporar-se na liberdade sem limites que ela já é. E esta ainda é apenas uma outra estória que tenta apontar e descrever um paradoxo total. . . o aparente fim de algo que nunca foi real. . . a estória de mim.

Tudo o que há, é liberdade sem limites."
Tony Parsons em Satsang

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