13 de agosto de 2010

Dois Pássaros...


"O pássaro domesticado vivia na gaiola e, o pássaro livre, na floresta.
Mas o destino deles era se encontrarem, e a hora finalmente havia chegado.

O pássaro livre cantou: - Meu amor voemos para o bosque.
O pássaro preso sussurrou: - Vem cá, e vivamos juntos nesta gaiola.

O pássaro livre respondeu: - Entre as grades não há espaço para abrir as asas.
- Ah, lamentou o pássaro engaiolado - no céu não saberia onde pousar.

O pássaro livre cantou: - Amor querido, canta as canções do campo.
O pássaro preso respondeu: - Fica junto comigo, e eu te ensinarei as palavras dos sábios.

O pássaro da floresta retrucou: - Não, não! As canções não podem ser ensinadas!
E o pássaro engaiolado gemeu: - Ai de mim! Eu não conheço as canções do campo.


Entre eles o amor era sem limites, mas eles não podiam voar asa com asa.
Olhavam-se através das grades da gaiola, mas em vão desejavam se conhecer.

Batiam as asas ansiosamente, e cantavam: - Chega mais perto, meu amor!
Mas o pássaro livre dizia: - Não posso! Tenho medo da tua gaiola com portas fechadas.
E o pássaro engaiolado sussurrava: - Ai de mim! As minhas asas ficaram fracas e morreram.

Dois Pássaros por Rabindranath Tagore

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