14 de agosto de 2010

Asas do Ser...


Não me toque com suas mãos calmas e carinhosas,
Já não sinto mais o corpo denso a murmurar.
Não me digas palavras doces de amor,
Já não me assento mais sobre elas,
São apenas murmúrios distantes, boiando sobre as águas do mar.
Não me olhe com esses olhos molhados de saudade e desejo,
Já nem mais vejo luzes nem sombras,
Deixaram de existir em mim, no momento que a brisa leve da verdade me acolheu.
Não me pergunte nada que não te possa responder.
Já que o que se diz, não responde, e o silêncio que é a resposta, é a única verdade que já se possui.
Não me interrompa, nem impeça meu caminhar,
Já que sou vento, sou verbo, movimento, e liberdade sem fim,
E não existe lugar que possa sequer me acolher.
Não chore sobre mim, nem comigo,
Lágrimas e sorrisos não me envolvem, nem me seduzem,
Apenas me lembram que já fui assim um dia.
Não braveje nem sussurre aos meus ouvidos,
Simplesmente eles escorrem calados, sobre o vasto silencio que absorve absoluto minha alma.
Não se sinta desprezado por não acolher seu doce amor em meu peito,
É que neste peito já não existe um alguém,
Existe apenas a vastidão da presença pura,
Que a muito soltou as amarras dos pensamentos vãos,
E abriu suavemente as asas do Ser... e partiu...
Não te inquietes com esse meu jeito de Ser,
Este também é o mesmo Ser em ti, só que ainda não revelado...
Ainda...

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