25 de março de 2010

Ego...


" O fenômeno do ego, do eu, não é uma coisa - é um processo.
Não é uma substância sentada lá dentro de vocês; vocês tem de criá-lo a cada momento.
É como pedalar uma bicicleta: se vocês pedalam, ela continua sempre andando;
Se vocês não pedalam, ela pára. (...). Não há mais energia, não há mais força para ir a lugar nenhum. Ela vai cair e entrar em colapso.

O ego existe porque nós continuamos a pedalar nossos desejos, porque continuamos a nos empenhar para conseguir alguma coisa, porque continuamos à frente de nós mesmos. É exatamente esse o fenômeno do ego - vocês saltam a sua própria frente, um salto no futuro, um salto no amanhã. O salto no inexistente cria o ego. Como resulta do inexistente, ele é como uma miragem. Ele consiste somente em desejos e nada mais.
O ego não está no presente; ele está no futuro. Se vocês estiverem no futuro, então o ego vai parecer bastante substancial. Se vocês estão no presente, o ego é uma miragem; ele começa a desaparecer.(...)

Vocês não conseguem parar o desejo; conseguem apenas compreendê-lo. É na própria compreensão do desejo que está a parada dele. Lembrem-se: ninguém consegue parar de desejar - mas a realidade só acontece quando o desejo pára.

Portanto o dilema. O que fazer? O desejo está dentro de nós, mas os budas vivem dizendo que o desejo precisa ser parado e no, momento seguinte, dizem que nós não conseguimos parar o desejo. Então o que fazer?As pessoas se vêem diante de um dilema. (...)
O desejo tem que ser compreendido. Você pode compreendê-lo, ver simplesmente a sua futilidade.(...)

No dia em que o desejo parou, no dia em que eu o encarei e percebi que ele era só futilidade, fiquei desamparado e desesperançado. Mas algo nesse exato momento começou a acontecer (...) Porque na nossa desesperança está a única esperança, porque na nossa ausência de desejo está a nossa única satisfação e por causa do nosso imenso desamparo, de repente toda a existência começa a nos ajudar.

A existência está esperando. Enquanto ela vê que vocês estão trabalhando por si mesmos, ela não interfere. Espera. Pode esperar indefinidamente, pois não há pressa para a existência. Ela é a eternidade.
Mas no momento em que vocês não estão por sua própria conta - no momento em que vocês desistirem, no momento que vocês desaparecerem - a existência inteira corre ao encontro de vocês. E pela primeira vez, as coisas começam a acontecer."
Osho em Autobiografia de um Místico Espiritualmente Incorreto.

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