22 de abril de 2011

O "eu" e os "problemas"...


"Como ficamos ansiosos para encontrar uma resposta para os nossos problemas!
Somos tão ávidos em achar uma resposta, que não o estudamos; isso impede nossa observação silenciosa do problema.

O problema é a coisa importante, e não a resposta. Se procurarmos por uma resposta, iremos achá-la; mas o problema persistirá, pois a resposta é irrelevante ao problema.

Nossa busca é por uma fuga do problema, e a solução é um remédio superficial e portanto, não há compreensão do problema.
Todos os nossos problemas surgem de uma fonte e sem compreender a fonte, qualquer tentativa de resolvê-los irá somente conduzir a mais confusão e miséria.

A pessoa precisa, primeiro, ter muito claro que sua intenção de compreender o problema é séria, que ela vê a necessidade de estar livre de todos os problemas; pois, só assim, o fazedor de problemas pode ser abordado.
Sem estar livre dos problemas, não pode haver tranqüilidade, e a tranqüilidade é essencial para a felicidade – que não é um fim em si mesma. Assim como uma lagoa fica quieta quando a brisa para, assim também a mente fica quieta com o cessar dos problemas. Mas a mente não pode ser parada; se for, está morta, é uma lagoa estagnada. Quando isso está claro, então o fazedor de problemas pode ser observado. A observação deve ser silenciosa e não de acordo com qualquer plano pré-determinado baseado no prazer ou na dor.

Mas você está pedindo o impossível! Nossa educação treina a mente a distinguir, a comparar, julgar e a escolher, e é muito difícil não condenar ou justificar o que é observado. Como alguém pode ficar livre desse condicionamento e observar silenciosamente?”

Se você vê que a observação silenciosa, a atenção passiva é essencial para a compreensão, então a verdade da sua percepção liberta você do background. É só quando você não vê a necessidade imediata da atenção passiva – e ainda assim alerta – que surge o “como”, a busca por um procedimento para dissolver o background.

É a verdade que liberta, não os meios que você usa, ou o sistema.
A verdade que a observação silenciosa sozinha traz compreensão precisa ser vista; só assim você está livre da condenação e da justificação. Quando você vê o perigo, você não pergunta como você vai se afastar dele. É porque você não vê a necessidade de estar passivamente alerta que você pergunta “como”. Por que você não vê a necessidade disso?

Eu quero ver, mas eu nunca tinha pensado desta forma antes. Tudo o que posso dizer é que eu quero me livrar dos meus problemas, porque eles são uma real tortura para mim. Eu quero ser feliz, como qualquer outra pessoa.”

Consciente ou inconscientemente nós nos recusamos a ver como é essencial estarmos passivamente atentos, alertas, porque não queremos realmente largar nossos problemas; pois o que seríamos sem eles?
Preferiríamos nos agarrar em alguma coisa que conhecemos, embora dolorosa, do que arriscar a perseguir alguma coisa que possa nos levar não se sabe aonde. Com os problemas, pelo menos, estamos familiarizados; mas pensar em ir atrás do causador deles, sem saber aonde isso pode levar, cria em nós medo e entorpecimento.

A mente ficaria perdida sem a preocupação com os problemas; ela se alimenta de problemas, sejam eles problemas mundanos, ou problemas da cozinha, políticos ou pessoais, religiosos ou ideológicos; então nossos problemas fazem de nós pessoas mesquinhas e limitadas.
A mente que é consumida com problemas mundanos é tão mesquinha quanto a mente que se preocupa com o progresso espiritual que está fazendo.
Problemas sobrecarregam a mente com medo, pois os problemas dão força para o ego, para o “eu” e o “meu”. Sem problemas, sem realizações e falhas, o "eu" não existe."
J. Krishnamurti em Aos pés do Mestre

3 comentários:

  1. Ola Lilian,
    Tudo bem?
    Sabe, depois de tudo que tenho aprendido, por conta propria, sem religião, sem doutrina, sem fraternidades, sem dogmas, cheguei a conclusão que o grande problema de tantas pessoas não acordarem é o ego, e o modo que o sistema sustenta os egos.
    Fui atraz de saber o que Osho fala sobre o carma e ele foi bem claro, carma não, e sim ação e reação.
    O que você acha?, porque tantos dormem, e é quase impossivel acorda-los?
    Paz e Luz.

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  2. Oi Sissi, tudo bem, obrigada!
    O carma tem a ver com o ego /mente (causa-efeito) leis da ação e reação. Mas para a consciência não existe nada disso, está tudo em perfeita harmonia.
    Quanto ao despertar, é algo que não é da dimensão do fazer, e sim do Ser, e acontece quando a existência assim o desejar. Não podemos acordar ninguém, nem a nós mesmos; No momento certo o despertar simplesmente acontece a quem tiver que acontecer; é a existência se auto-revelando a quem ela mesma decidiu.
    O que um mestre pode fazer é simplesmente Ser luz, mostrar a luz, apontar a luz...
    Cada um trilhará seu caminho, até que o caminhante (ego) desapareça...mas o caminho (existência/Deus) este permanece para sempre...Beijos querida, Luz e paz no seu coração também!

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  3. Obrigada, beijão!!!
    Paz e Luz

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