3 de abril de 2010

Neruda...


"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo,
te amo secretamente, entre a sombra e a alma..
Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascender da terra..
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo diretamente sem problemas nem orgulho, assim te amo porque não sei amar de outra maneira.
Se não assim deste modo, em que não sou, nem és, tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
...
Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
...
Tu eras também uma pequena folha que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube que ias comigo,
até que as tuas raízes atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
...
E desde então,
sou porque tu és
E desde então és, sou e somos...
E por amor Serei... Serás...Seremos...
...
Nega-me o pão, o ar,
a luz,
a primavera,
mas nunca o teu riso
porque então morreria..."
Pablo Neruda, Poemas Diversos

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