26 de setembro de 2012

A Existência - Meher Baba

"A Existência é eterna, enquanto que a vida é perecível. 

Comparativamente, a Existência é o que seu corpo é para o homem e a vida é como a roupa que cobre o corpo. 

O mesmo corpo muda de roupa de acordo com as estações, com o tempo e as circunstâncias, da mesma forma que a Existência eterna e una sempre está lá através de todos os inúmeros aspectos variados da vida.

Envolta além do reconhecimento pelo manto da vida com suas dobras e cores variadas está a Existência imutável. É o traje da vida com seus véus - o véu da mente, da energia e das formas grosseiras que "encobrem" e se sobrepõe sobre a Existência, apresentando a Existência eterna, indivisível e imutável como transiente, diversificada e em constante mudança.

A Existência é onipresente e é a essência fundamental que sublinha todas as coisas animadas ou inanimadas, reais ou irreais, variadas em espécie ou uniforme em formas, coletivas ou individuais, abstratas ou substanciais.

Na eternidade da Existência não existe o tempo. Não há passado nem futuro, apenas o presente eterno. Na eternidade nada jamais aconteceu e nada jamais acontecerá. Tudo está acontecendo no interminável 
AGORA.

A Existência é Deus, enquanto que a vida é ilusão.
A Existência é Realidade, enquanto que a vida é imaginação.
A Existência é eterna, enquanto que a vida é efêmera.
A Existência é imutável, enquanto que a vida está sempre mudando.
A Existência é liberdade, enquanto que a vida é um aprisionador.
Existência é indivisível, enquanto que a vida é múltipla.
Existência é imperceptível, enquanto que a vida é enganosa.
A Existência é independente, enquanto que a vida é dependente da mente, da energia e das formas brutas.
A Existência é, enquanto que a vida parece ser.
A Existência, portanto, não é a vida.

O nascimento e a morte não marcam o início ou o fim da vida. Considerando que as diversas fases e estados da vida que constituem os chamados nascimentos e mortes são regidos pelas leis da evolução e da 
reencarnação, a vida vem a existir uma única vez, com o advento dos primeiros raios pálidos da consciência limitada, e sucumbe à morte apenas uma vez ao alcançar a Consciência Plena da Existência Infinita.

A Existência, onisciente, onipotente, Deus onipresente, está além de causa e efeito, além do tempo e do espaço, além de todas as ações.

A Existência toca a tudo, todas as coisas e todas as sombras. Nada jamais pode tocar a Existência. Mesmo o próprio fato de seu ser não tocar a Existência.

Para perceber a Existência é preciso despreender-se da vida. É a vida que dá limitações ao Ser ilimitado. 

A vida do ser limitado é sustentada pela mente que cria impressões, pela energia que alimenta o impulso para acumular e dissipar essas impressões através de expressões, e por formas grosseiras e corpos que funcionam como instrumentos através dos quais essas impressões são gastas, reforçadas e, eventualmente, exauridas através de ações.

A vida está densamente associada às ações. A vida é vivida através de ações. 
A vida é valorizada através de ações. A sobrevivência da vida depende de ações. 
As ações são o que faz a vida ser conhecida - ações opostas em natureza, ações afirmativas e negativas, ações construtivas e destrutivas. 
Portanto, para deixar a vida sucumbir até sua morte definitiva é deixar todas as ações terminarem. 
Quando as ações terminam completamente, a vida do ser limitado espontaneamente experimenta-se como a Existência do Ser ilimitado.

A Existência ao ser realizada (percebida e atingida), a evolução e a involução da consciência estão completas, a ilusão desaparece e a lei da reencarnação não pode mais aprisionar."
Meher Baba em O Propósito da Criação.

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