30 de setembro de 2012

A Via Negativa...

Me responda então uma dúvida minha: Já que a via da Realização não necessita se "fazer" alguma coisa, porque tantas técnicas, terapias, meditações, satsangs...não compreendo?

Recebi esse questionamento de um amigo, e hoje vou refletir com vocês sobre isso.

A Realização do Ser não necessita de nenhum fazer...já somos aquilo que buscamos. 
Nenhuma busca é realmente necessária. 
O Ser já É, aqui e agora. Luminoso e belo, inteiro e absolutamente presente.

Mas porque ainda não realizamos isso então? Se já Sou porque ainda acredito que Não-sou? Porque ainda me prendo a negatividades, impossibilidades, identificações, memórias, pensamentos, enfim uma infinidade de coisas que "sei" que não tem vida própria, não existem em si mesmos...ainda existem por que a energia que dou a eles é que os fazem persistir?

É aí que as técnicas, terapias e stsangs entram. 
Tudo o que "fazemos" tem apenas um objetivo, abrir espaços internos, desidentificar, libertar a mente aprisionada, identificada, só isso. Tudo o que já foi criado ao longo de milhares de anos pelos mestres do oriente e do ocidente tem apenas esse objetivo, libertar a mente de TODAS as suas identificações. 
Imaginemos uma sala grande espaçosa, mas cheia de coisas, de móveis. Ela pode ser enorme mas fica entulhada, fica apertada, não por ser pequena, mas por estar cheia de coisas. A medida que vamos retirando os móveis, as coisas, o que sobra..é o que já estava desde o início.. o espaço livre, vazio, aberto..só que estava "escondido" porque havia tanta coisa dentro desse espaço que não era possível sequer se perceber o seu real tamanho.

Assim é a mente, puro espaço, aberto, livre, infinito.
Mas enchemos a mente com tantos pensamentos, e vamos nos prendendo a eles, alimentando-os ao longo de décadas, que se tornam moradores permanentes desse espaço. E isso faz com que pareçam fixos, presos, mas na verdade nunca foram. A mente continua sendo espaço vazio, mas a quantidade de pensamentos, sentimentos, memórias que carregamos dentro dela é imensa, e vamos aos poucos "perdendo" de vista a sua natureza original, sua amplidão, sua transparência e simplicidade.

Daí as meditações, as terapias, todos os trabalhos psicoterapêuticos, trabalhos corporais, artes marciais, enfim,...são ferramentas úteis para a retirada dessas identificações, são úteis para a dissolução de tudo o que carregamos dia após dia e acreditamos que somos isso, mas na verdade nunca fomos.

Os pensamentos são objetos que fluem pelo espaço da mente. Nascem e partem. Não tocam o espaço da mente, nada toca na verdade o espaço. O espaço é o que acolhe tudo. Envolve, mas permanece intocável, intocado.
Assim também é o Amor.
O Amor nasce por alguém, por uma coisa, mas vai aos poucos se ampliando mais e mais, a ponto de realizar a nossa própria natureza original, Ser Amor.
O Ser Amor não tem limites, não tem nenhum objeto, nenhum foco, e inclui tudo e todos ao mesmo tempo.
Independe de causa e efeito, já É.
Não busca nenhuma recompensa, a sua própria existência já é a recompensa maior que poderia existir.
O Ser Amor é também puro espaço...aberto...

Por isso que os verdadeiros Mestres sempre trabalharam pela chamada Via Negativa, isto é, não é algo que se acumule, aprenda, é algo que se desvencilha, liberta, retira, dissolve...
Todos os ensinamentos apontam nessa direção de mais e mais consciência onde antes havia inconsciência. Todas as vivências, técnicas, satsangs e trabalhos terapêuticos também.

Quando se retira tudo aquilo que Não É, o que sobra é o Que É. Aquilo que Sempre foi e será...
Veja o falso como falso, e o que é Real se Revela...
Quando o céu está sem nuvens, o que se vê é o puro espaço onipresente...
Amor
Lilian

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