14 de novembro de 2012

A Eterna Vigilância - Satyaprem

"As pessoas confundem autoconhecimento com um balanço do passado, com uma espécie de maneira perfeita de lidar com as situações. 

Mas isso não tem nada a ver com você, não tem nada a ver com o verdadeiro autoconhecimento.
A verdade é que o autoconhecimento desprende você dos acontecimentos.


As nuvens não são o céu.

Toda a brincadeira consiste em convidá-lo a olhar para dentro. Não importa quantas vezes você tenha ouvido isso, este movimento é eterno – eterna vigilância. Não tem outra maneira, olhar para dentro é a eterna vigilância.

O chamado para o lado de fora é imenso e muito poderoso, aparentemente.  Olhar para dentro desmistifica essa realidade que você comprou como verdade, e é por isso que tão poucos encaram tal proposta.

Olhar para dentro revela a chamada "realidade" como ilusória, passageira, nuvens, e nisso, todos os valores passam por uma revisão.

Portanto, olhe para dentro, de novo, de novo e de novo. Até que você, como consciência, esteja tranquilamente assentado, indubitavelmente acomodado na realidade do Ser, da Consciência que você é. 
O céu no céu e as nuvens passam, na sua dança ora branca ora negra.

Veja: é muito sutil. A mente apreende a ideia de que você não deve ter dúvidas e elabora um sistema que repete "Já sei tudo! 

Não tenho dúvida alguma". Mas não estamos aqui para você entender algo, não ter dúvida não é não ter dúvida. O nosso propósito é perder, perder todos os conceitos, desprender-se de todos os acontecimentos e habitar o dentro como realidade. E dentro do céu tudo é possível.(...)

Um discípulo pergunta ao mestre Zen, chinês: “Qual a verdade de Buda?” Que responde: “Não saber e não atingir”.

Pondere brevemente...

A mente tem metas a atingir, inclusive a meta de conhecer a si mesmo. É de tamanho contrassenso, para a mente sistemática cartesiana, a proposta de que você tenha que largar inclusive a meta de descobrir quem é você. Este é um paradoxo que você deve encarar e vivenciar, se está levando a sério o encontro com a Verdade.

O monge pergunta: “Qual a verdade de Buda?” A verdade de Buda é não atingir , não atingir, não atingir, não atingir, não saber, não saber, não saber, não saber. Fica a dica! 
O primeiro passo para saber quem você é, é ver que você não tem a menor ideia a respeito de nada. Tudo o que você “sabe” não passa de uma repetição, vinda do passado, experiência ou não.

Acomode-se... torne-se íntimo do Silêncio. 

Dedique um pouco do seu precioso tempo a não saber absolutamente nada. Não importa que os outros queiram saber o que você está “aprendendo” aqui. Deixe-os! Fique em paz com o fato de que saber quem você é não tem nada a ver com o que a mente faz ou deixa de fazer.

Portanto, fica a dica: não atingir, não saber. Se preciso, faça disso um exercício e aos poucos note que não saber é uma preciosa chave para a satisfação. 
A mente tenta se sobrepor, por hábito, e você permanece cada vez mais fundo no “não saber”."
Satyaprem em Satsang

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