4 de maio de 2011

Renascimento...




Dia desses, estava conversando com uma amiga, e ela vira-se para mim e diz assim: Mas me diga uma coisa, não consigo me reconhecer em ninguém, só vejo diferenças, mentes diferentes, perspectivas diferentes, não consigo me identificar com ninguém, acho que sou mesmo um E.T nesse mundo...

Pois bem, essa é a percepção de muitas, mas muitas pessoas mesmo. Não percebem onde se relacionam com as outras, nem com o todo da existência. Vivem vidas isoladas, centradas, e já partem do princípio que são isoladas mesmo, e de que a vida é assim mesmo.

Pois bem, parto de uma frase linda de Thomas Merton que nunca me esqueci: Homem algum é uma ilha.
Se existe algo que é impossível de existir é isso. Não tem como ser uma ilha, uma vez que partilhamos todos o mesmo planeta, o mesmo ar, o mesmo céu, o mesmo sol, a mesma lua, o mesmo mar...
A idéia de isolamento, e digo idéia, porque é mesmo só uma idéia, nos faz crer que o somos todos desgarrados, isolados e que nessa vida a lei é de cada um por si...
Mas se olharmos realmente para a realidade o que se apresenta é exatamente o contrário.
Temos tanta coisa em comum que eu ficaria aqui escrevendo tratados e tratados sobre isso. Mas sendo breve, nascemos e morremos do mesmo modo, sentimos e nos emocionamos também, amamos e sofremos também.

A busca pelo isolamento, pela diferenciação realmente passa por um necessário processo de introspecção, de avaliação dos próprios valores, a busca do próprio olhar, da consciência particularizada de cada um, isso é belo, faz parte da nossa evolução enquanto indivíduo. Mas isso não está separado do todo, como possam pensar. Pois até nesse processo de auto-realização, de auto-descoberta que todos nós passamos, quer percebamos ou não, aí também o Todo da existência está acontecendo, está se auto-revelando, se auto-descobrindo em cada um de nós.

Quando vivemos momentos de profundo questionamento, buscamos mudanças, ou entramos em processos de auto analise, ou terapias profundas, não estamos nos isolando do mundo, ou nos tornando menos conectados, muito pelo contrário, o verdadeiro processo de auto-descoberta tem sim seus momentos mais delicados, introspectivos, isso faz parte do processo, uma vez que precisamos retirar todas aquelas referências externas, estranhas que carregamos em nós, mas nem sabemos porquê, apenas carregamos, e repetimos padrões de comportamento aprendido, condicionado e que muitas vezes nos tornam meio robotizados, ou melhor dizendo, nos torna distantes de nós mesmos, da nossa essência verdadeira.

Esses momento são preciosos, devem ser cuidados com toda atenção, pois são a chave de todo processo de mudanças reais e profundas. E quando passamos dessa metamosfose, e realmente descartamos conscientemente tudo aquilo que não somos nós, todos aqueles conceitos, pré-conceitos, condutas, comportamentos, enfim que identificados, iluminados, são absolutamente dissolvidos, o que emerge, o que sempre esteve ali em nós, só que encoberto por uma montanha de coisas estranhas e alheias, o que emerge somos nós, verdadeiramente. Agora sem mais defesas, sem mais máscaras, nem dissimulações.

O que nasce, ou renasce melhor dizendo somos nós mesmos, só que agora nascidos a partir da consciência, não mais admitimos viver, e nos comportar de modo mecânico ou repetitivo, a partir de então somos senhores de nós mesmos, e abertos para viver e amar sem limite.
È aí que vemos que todo aquele isolamento serviu para esse desabrochar, esse despertar para as dimensões mais amplas, mais altas da vida.
A lagarta forma seu casulo no momento em que suas asas começam a lhe chamar. O casulo tem essa função, a de mergulhar no silêncio e na paz, para ali, longe dos olhos e das influências externas nasça uma borboleta completa.

Alçar vôo requer nascer para o céu, nascer para aquilo que não tem divisão, é inteiro, é Total, nascer para Deus.
Isso requer paciência, dedicação e mais que tudo vontade, um desejo imenso que nasce no mais profundo de nós e que nos coloca inteiramente nessa direção.
Quando a lagarta fica presa no casulo, ela não voa, ela morre. Os momentos de metamorfose interior são importantíssimos, mas também passam. Pois o objetivo são as asas, o objetivo é o vôo...

Renascer é alcançar nossa natureza verdadeira, espiritual, total, não dividida, plena.
Não é algo fácil, é bem verdade, mas é dessa maneira que todas as barreira são dissolvidas, todas as divisões ilusórias são desfeitas, no momento que a essência é revelada, e não mais se deixa enganar por sombras ou nuvens passageiras.
Alçar o vôo da consciência é a realização da existência em nós. Saibam que nesse despertar toda a existência celebra, dança, canta e em si cada átomo vibra numa frequencia mais luminosa e mais harmoniosa.
Isso é ser com o todo, interser, isso é a Totalidade viva em cada um de nós...
Termino com uma frase do Osho que diz assim: Ser filho do homem, é ser carne, mente, divisão; Ser Filho de Deus, é revelar a alma, revelar a consciência e a Totalidade da nossa divindade original, é para isso que estamos aqui...
Amor
Lilian

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