11 de maio de 2011

Desejar é Perder...



"Através do desejo você se move contra a vida. Parece paradoxal, e é. Essa lei paradoxal precisa ser profundamente entendida.

Por que é que quando você deseja a vida, você a perde? Por quê? Não deveria ser assim. Logicamente, matemáticamente, não deveria ser assim. Se alguém deseja a vida, por que a perderia?

O mecanismo é tal que, ao desejar você se moveu novamente para o futuro. E a vida está aqui! A vida já existe - como você pode desejá-la? Apenas aquilo que não existe pode ser desejado. Mas a vida é. Como você pode desejá-la? Ela já é; já está acontecendo. Você é a vida.

Se você desejar a vida, a perderá. Mas através do desejo você se distancia da vida. Todo desejo a leva cada vez mais longe. Por isso há tanta insistência na ausência de desejo.

Isso não significa que Buda ou todos aqueles que falam sobre a ausência de desejo estejam contra a vida. Ao contrário, eles são de fato, a favor da vida. Mas dizem: " Não deseje" - e isso nos soa como se eles fossem contra a vida, como se eles fossem negadores da vida. Eles não o são. Através do desejo, estamos perdendo vida. É por isso que Buda diz: " Não deseje". Que acontece se você não deseja? A vida acontece a você. Ela já está acontecendo, mas você não pode olhar para ela porque seus olhos estão fixados no futuro. Você está em outro lugar; sua mente não está aqui. A vida está aqui e você não está aqui; portanto, o encontro torna-se impossível. Então, você ansiará pela vida, a desejará, mas continuará a perdê-la.

Permita que a vida aconteça a você. Como isso pode ser feito? Estando atento ao que se passa aqui. Não tendo desejos de estar em outro lugar.

No momento em que você começa a desejar a vida, torna-se temeroso da morte. Isso é inevitável, porque o desejo pela vida cria o medo da morte. Não existe nenhuma morte. Na verdade nada morre, nada pode morrer. É impossível. A morte nunca acontece; a morte não existe. Então por que sentimos tanto a morte e a tememos tanto? Por que tememos algo que não existe?

Tememos a morte devido ao nosso desejo pela vida. O desejo pela vida cria um medo pelo oposto: o medo da morte. Não conhecemos a vida, mas a desejamos. Então surge o medo de que a vida seja destruída.

Vemos a morte acontecendo...alguém morre. Você já reparou no fato de que é sempre outra pessoa que morre, nunca você?É sempre outra pessoa. Você vê a morte pelo lado de fora; nunca a vê do lado de dentro. Você vê alguém morrendo, mas não sabe o que está acontecendo no fundo do seu ser. Sabe apenas o que está acontecendo na periferia, no corpo. A periferia está morte; não está mais viva, a pessoa não pode mais respirar. Mas o que aconteceu no âmago da pessoa, no próprio ser, no centro? Você não sabe.

Ninguém testemunhou a morte. E isso não é possível, pois há apenas um modo de testemunhá-la: você precisa se mover para o íntimo de seu ser, e aí testemunhá-la. Mas aí a morte nunca acontece. É por isso que um Buda, um Krishna, riem da morte.
Krishna diz a Arjuna no Gita: " Não receie. Não pense que alguém morrerá". Ninguém morre. Você não pode realmente matar ninguém. É impossível. Nada neste mundo pode ser destruído. A destruição não é possível. Só a mudança é possível.

A vida continua a se mover. Uma onda morre ( parece morrer) e então uma outra onda se levanta. Só as formas desaparecem e novas formas aparecem, mas nada morre e nada nasce.

Se nada morre, então nada nasce, pois a morte só é possível se algo nasce. Nascimento e morte são duas ilusões. Você existiu antes do seu nascimento - de outro modo o nascimento não seria possível - e você existirá após a sua morte - caso contrário, não lhe seria possível estar aqui e agora. Mas o desejo de se apegar à vida cria o medo da morte.

Se você parar de desejar a vida, o medo da morte desaparece imediatamente. E quando o medo da morte desaparece, você pode saber o que é a vida. Uma mente tremula, com medo e angústia, não pode saber. O saber requer uma consciência calma e destemida.

O desejo pela vida significa medo da morte. O sutra diz: "Destrua o desejo pela vida", para que o medo da morte desapareça. E quando não houver morte, nem nenhum apego à vida, você saberá o que é a vida, pois ela está acontecendo a você. Você é a vida! A vida não é algo extrínseco. Já está acontecendo. Você está respirando nela. Você é exatamente como um peixe no oceano da vida, mas não está consciente disso porque sua atenção está obcecada pelo futuro. Desejo significa obsessão pelo futuro. Não-desejo significa viver aqui e agora."
Osho em A Nova Alquimia

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