7 de março de 2011

Insatisfação crônica...


Uma das maiores enfermidades que acomete ao homem na atualidade é a chamada insatisfação crônica. As pessoas parecem que andam em círculos, atrás de "coisas", que segundo elas lhes trarão a chamada felicidade...

Vinculam a sua felicidade a algo fixo, a algo a se adquirir, ou conquistar, e não percebem que a felicidade tão desejada nunca esteve em nenhum lugar, nunca esteve com ninguém, em nenhuma conquista, a não ser em Si mesmo, aqui-agora, e mais, a chamada felicidade não é uma meta, é mais o jeito, a maneira que se vive, a forma que se leva a vida, a dança, o ritmo, essa sim é a grande fórmula - se é que existe uma - da tão almejada felicidade.

Quando nos ensinam desde pequenos que a felicidade é algo, ou uma coisa, passamos a acreditar que é algo precioso, raro, que precisa ser alcançado a qualquer preço, e que só depois de muito esforço, muito sacrifício, muita busca, é que talvez...ela possa ser alcançada.

Vejo quantas pessoas se sacrificam, se martirizam, por um mísero instante da dita felicidade...
Mas como pode ser isso? Como uma coisa tão rara, tão preciosa pode ser tão efêmera...era para ser o contrário...já que se demora tanto para conquistá-la, era de se esperar que, no mínimo ela fosse mais duradoura...não é?

Mas a chamada felicidade não é de modo algum estática, fixa, ela pelo contrário, é fluida, é fluxo, como a vida...
Se estamos atrelando o nosso estado de felicidade a algo, já perdemos. Se estamos esperando que a felicidade aconteça quando algo chegar, ou quando alguém vier, ou naquele determinado lugar, enfim...já perdemos também.

Quando estamos conscientes desse dinamismo da existência, estamos na verdade em constante adaptação. Não importa o que aconteça, iremos criar com aquilo, iremos fluir com aquele momento. Se acontecer o que esperávamos, ótimo, fluimos também. Se não, é mais um momento de adaptarmos e fluirmos com aquela paisagem que surgiu. Viver é criar. Criar é adaptar-se, é fazer uma canção com as notas que a vida nos vai dando, momento a momento.

Nunca se falou tanto em felicidade e nunca vimos as pessoas tão perdidas e infelizes.
Existe um vazio existencial, que leva muitas pessoas a auto-destruição, a uma submissão patológica, sem nem se dar conta de que estão na verdade sendo manipuladas por mensagens falsas, por uma mídia que explora esse lado frágil de cada um.

Acordar para esses aspectos é o primeiro passo. Assumir integralmente sua vida, e suas conseqüências é o segundo. Não coloque sua vida, decisões e escolhas nas mãos de ninguém a não ser as suas mesmas.

Perceba-se, investigue-se, vá fundo nos aspectos internos, nos registros, nos comportamentos condicionados, naquelas "histórias" que você conta para você mesmo. Olhe face a face, todos os "filmes particulares" que você vive ao longo de um dia, de um ano, ao longo da sua vida, e veja quantas histórias imaginárias estão acontecendo a você, e você acreditando nelas, tomando-as como verdade...mas não são, nunca serão...as nuvens jamais se tornarão o céu azul...nuvens são apenas nuvens, nada mais...

Não tem como alcançar um estado de felicidade como chamo, sem essa prévia investigação, sem essa prévia purificação interior. Sem essa "limpeza interior" os momentos "felizes" são fugazes, e cada vez mais raros, não tem como ser diferente, já que existe ali tantas memórias, tantos condicionamentos, que os poucos raios de luz que conseguem passar, logo são escondidos por essas grossas camadas de passado.

O auto-conhecimento, tem como objetivo exatamente esta limpeza, esta cura interior. E a meditação é um aliado poderoso ao mergulho no Ser, de forma direta, e sem intermediários.

Os dois são verdadeiras jóias luminosas rumo a grande descoberta da felicidade plena. Não essa dita felicidade fugaz, mas aquela felicidade plena, desvinculada, radiante e livre, pois não está vindo de fora, mas está sendo revelada do interior, é a nossa natureza essencial, que emerge, que aflora, que se expressa, em tudo que somos, falamos, fazemos, realizamos.
Não tem como ser diferente.

A busca da felicidade começa na verdade por um esvaziamento de tudo que não somos nós, de tudo que foi "enxertado" em nós, e acreditamos, e aceitamos que aquilo era verdade, mas não era, e continua não sendo.

Quando falamos em felicidade, percebam que é a verdade mais profunda do nosso existir. Somos criados a partir dela, e nela estamos mergulhados, mesmo que não tenhamos consciência disso. Não precisa de nenhum esforço, não precisa de nada, nem de ninguém, ela já está aí, em cada um de nós. Felicidade e paz caminham juntas. Diria que são as duas faces da mesma moeda. Sem paz interior, a felicidade não é verdadeira, nem é perene.

Toda a existência existe e manifesta essa felicidade autêntica, pura, simples e livre.
Nós também somos isso. Basta despir-nos das inverdades que carregamos, basta dissolvermos as nuvens carregadas...o céu azul sempre esteve lá, o sol brilha inclusive a noite...ele não se põe jamais...
Amor
Lilian

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