13 de março de 2011

A Arte da meditação...


"Este é o segredo no caminho do amor: o amor incondicional transforma todo o seu ser em energia de amor, e tornar-se energia de amor é tornar-se divino. Nada mais é necessário. Isso é mais do que se pode pedir, é mais do que se pode sonhar. Traz uma realização total, traz um desabrochar. Você desabrocha.
As flores da consciência começam a se abrir em você.

A meditação só leva até a porta.
Mas esta é a maior jornada - da cabeça ao coração, da lógica ao amor, do saber ao sentir.
Por isso, o poeta está mais perto que o cientista (...). Mas é só por meio da meditação que o poeta se torna ciente desse passo, do contrário, ele pode ficar de pé em frente à porta do templo e não entrar.
Esta é a posição do poeta: de pé diante da porta do templo, mas olhando para fora. Já o místico está de pé diante da porta, mas olhando para dentro. Os dois estão no mesmo lugar - a diferença está na meditação.
A meditação lhe permite uma volta de 180 graus: você não olha para fora, olha para dentro.

As direções do poeta e do místico são diferentes. Os dois se encontram no mesmo lugar, mas o místico olha para dentro o poeta olha para fora - e isso faz a diferença, a grande diferença.
Quando o místico olha para dentro, ele se apressa em entrar. Não pode parar, nada pode detê-lo. O impulso de entrar é irresistível.
A meditação torna você capaz de dar o passo final. Portanto, concentre seus esforços, todo o seu ser numa única coisa, lembre-se de uma palavra - meditação - e invista toda a sua energia nela, até ela se tornar uma realidade para você.

Para entrar em meditação, uma das qualidades mais essenciais é a paciência. Não se pode ter pressa - quanto mais pressa você tem, mais tempo demora. Se você for capaz de esperar para sempre - com amor, com confiança -, ela pode acontecer de um momento para outro. Pode acontecer instantâneamente, imediatamente, tudo depende de você ser paciente.
Mas lembre-se: quando estiver meditando, nunca se preocupe com o resultado. Ele virá com o tempo. Confie ! Aproveite a meditação pelo que ela é, não seja ganancioso, não projete nenhuma ambição. Se você puder fazer meditação não como um meio, mas como um fim em si, então o milagre pode acontecer imediatamente e pode mudar todo o seu ser.

A transformação é difícil. É preciso aprender a arte de ser paciente - que a humanidade esqueceu completamente. Todos vivem com muita pressa, todos querem que as coisas aconteçam rapidamente. Ninguém quer esperar. (...)

Minha abordagem é de paciência, e o milagre é que pode acontecer instantâneamente. Mas o requisito tem de ser cumprido. É um paradoxo, mas qualquer coisa que diga respeito à verdade é sempre paradoxal; tem de ser paradoxal, pois a verdade precisa incluir seu oposto.

É preciso estar ciente de que, meditando você mergulha num descanso cada vez mais profundo. Ela não é concentração, muito ao contrário: é relaxamento. Quando você está totalmente relaxado, pela primeira vez começa a sentir sua realidade, você fica cara a cara com seu ser. (...)
Isso é só o começo. Quando aprende a arte de descansar , você consegue ficar ao mesmo tempo em repouso e em atividade, porque nesse momento você sabe que o descanso é algo tão interior que não pode ser perturbado por nada que seja do exterior: a atividade se passa na circunferência, na periferia, e você descansa no centro. Por isso, é só para os iniciantes que a atividade tem que ser abandonada por algumas horas. Quando se aprende a arte, não há mais dúvida: pode-se ser meditativo 24 horas por dia e continuar com todas as atividades da vida comum.

A meditação faz duas coisas para você: a primeira é deixá-lo ciente da beleza que existe em todo lugar, deixá-lo sensível a ela; e a segunda é torná-lo belo, dar-lhe certa graça.
Seus olhos se enchem de beleza, porque toda a existência é bela. Temos de beber dessa beleza, permitir que ela entre em nós.

Normalmente uma pessoa não tem consciência da beleza que cerca a existência. Ela é mais ciente de tudo que é feio, porque a mente sempre encontra o negativo. Ela conta os espinhos e esquece as rosas, conta as feridas e esquece as bênçãos. Assim é a mente.
No momento em que você entra em meditação, no momento em que se torna um pouco mais silencioso, um pouco mais calmo e quieto, mais relaxado, mais descansado em seu ser, você de repente percebe a beleza das árvores, a beleza das nuvens, a beleza das pessoas e tudo o que existe.

Tudo é belo porque é cheio do divino - até as rochas transbordam de divino.
Nada é destituído disso. E, quando você começa a experimentar todas essas belas dimensões, o resultado é que, alimentado por sua belíssima experiência - pela música, pela poesia, pela dança, pela celebração, pelo amor - você se torna belo.
Um resultado natural é o despertar de uma graça em seu interior; ela começa a irradiar. Todos devem vê-la.(...)

Quando o sol nasce, as pétalas do lótus começam a se abrir naturalmente -elas não devem ser forçadas - e então uma grande fragrância é liberada. Essa fragrância é bem-aventurança, paz, celebração.
O indivíduo alcança a realização, o contentamento total, porque ofereceu seu destino à existência, qualquer que fosse ele. Tudo aquilo que o indivíduo era capaz de criar e com o qual podia contribuir, ele assim o faz.
Esse é o ato supremo de criatividade e, após esse ato final, automaticamente o indivíduo se sente plenamente satisfeito, contente."
Osho em Meditações para a Noite.

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