24 de março de 2011

Tudo provém da mente...


"O Buda, intuitivamente, compreendeu as limitações do conceito que um ser humano comum faz do tempo.

Ele ilustrou esse ponto com uma história sobre um jovem que abordou um grande mestre em busca de ensinamento profundo. O mestre concordou, mas sugeriu que o jovem tomasse uma xícara de chá antes. “Depois disso”, ele disse, “eu lhe darei o ensinamento profundo que você busca”.

Então, o mestre serviu uma xícara de chá e, enquanto o estudante a levava à boca, a xícara de chá se transformou em um vasto lago cercado de montanhas. Enquanto ele estava na beira do lago, admirando a beleza do cenário, uma garota chegou por trás e aproximou-se do lago para pegar água num balde. Para o jovem, foi amor à primeira vista e, quando a garota olhou para o jovem parado na beira do lago, também se apaixonou por ele. O jovem a seguiu até a casa dela, onde morava com os pais idosos. Aos poucos, os pais da garota foram se afeiçoando ao jovem, que também se afeiçoou a eles e, mais tarde, eles concordaram que os dois jovens deveriam se casar.

Depois de três anos, o primeiro filho do casal nasceu — um menino. Alguns anos mais tarde, uma menina nasceu. As crianças cresceram felizes e fortes até que um dia, aos 14 anos, o filho adoeceu. Nenhum dos remédios prescritos curou sua doença. Em um ano, ele estava morto.

Pouco tempo depois, a filha do casal foi pegar lenha na floresta e, enquanto estava ocupada com seus afazeres, foi atacada e morta por um tigre. Incapaz de superar o desgosto de perder ambos os filhos, a esposa do jovem decidiu se afogar no lago. Enlouquecidos pela perda da filha e dos netos, os pais da garota pararam de comer e morreram de fome. Tendo perdido esposa, filhos e sogros, o jovem começou a pensar que ele também deveria morrer. Ele andou até a beira do lago, determinado a se afogar.

Quando estava prestes a se jogar na água, contudo, ele subitamente se viu de volta à casa do mestre, segurando a xícara de chá em seus lábios. Apesar de ter vivido uma vida inteira, só um instante se passara; a xícara ainda estava aquecida em suas mãos e o chá ainda estava quente.

Ele olhou para o professor, que fez um gesto afirmativo com a cabeça, dizendo: “Agora você percebe. Todos os fenômenos provêm da mente, que é a vacuidade. Eles não existem de verdade exceto na mente, mas eles não são o nada. Este é o seu ensinamento profundo”.
Monge Mingyur Rinpoche, em A Alegria de Viver.

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