8 de dezembro de 2010

Nada pessoal...


Pare e reflita um instante !!
No mundo atual, ou mesmo ao longo da história da humanidade, você já conheceu alguma cultura, algum povo, ou sociedade que não se baseasse no "indivíduo", no "eu" ?

Pois bem, pode acreditar que já existiram sim -as sociedades primitivas.
Elas não se baseavam no "eu" no "você", elas se baseavam no grupo, inteiro, como membros de um mesmo corpo - todos importantes por que eram de fato todos UM.

Essa consciência de unidade que essas sociedades tinham, foi se perdendo ao longo dos tempos, e o individualismo foi sendo o ponto de referência social, muito provavelmente pelo fato de que a mente, a razão, e também a ciência, o pensamento científico foram ditando as regras. Com isso, o olhar fragmentado, o particular foi sendo "percebido" como algo real, e daí surgiram muitas doenças psicológicas, sociais, tudo isso partindo do princípio de que somos todos diferentes, e separados uns dos outros.

Esse olhar fragmentado, não significa que seja verdadeiro, que reflita a realidade.
Ele surge a partir da mente, pois a mente é sempre plural, sempre mesmo...não tem como não ser plural, uma vez que sua função é exatamente essa, apontar a pluralidade de formas, emoções, pensamentos, para que possamos perceber a riqueza das múltiplas manifestações da existência.

Se não fosse a mente, como nós perceberíamos toda essa variedade, não é mesmo?

Mas, quando refletimos sobre isso, fica claro que além da mente plural, existe "algo" que observa esse pensar, algo que observa todos esses pensamentos passarem, observa todas essas emoções flutuarem, fluirem, mas esse observador silencioso, que não se sabe bem que é, esse permanece...observando apenas.

Os olhos não vêem a si mesmos não é verdade?
O observador em nós, que é a consciência, também não vê a si mesmo. Pois não existe nada além dele, ele é a própria presença divina, a fonte criadora, a divindade em nós.

Por isso, quando paramos para refletir sobre esse conceito de "pessoa" de "indivíduo", de "eu", vemos que isso foi uma criação da mente, uma criação "racional" de algo que nunca existiu na natureza, na existência...reflita sobre isso um instante....

Todos os mestres iluminados, seja do Oriente ou do Ocidente, sempre batem nessa mesma tecla: Somos Todos UM.
Não importa de que época sejam, nem de que cultura sejam, todos eles, sem exceção dizem e apontam essa mesma verdade: Não existe divisão na existência.
Deus é Um e se manifesta em tudo e em todos.
Nós somos a auto-consciência de Deus.
Ele percebe a Si mesmo através de nós.

Tudo que somos, nossos corpos, emoções, pensamentos, ações, enfim tudo, tudo mesmo acontece à nós, vêm a nós. Tudo é manifestação impessoal da existência, como diz Ramesh.

E é impessoal, simplesmente por não termos autonomia, não somos nós que racionalmente criamos a nós mesmos, mantemos a nós mesmos, controlamos a existência, controlamos tudo que nos acontece...nós não temos nenhum controle real...estamos sujeitos as ondas desse oceano, estamos na verdade fluindo nesse infinito oceano da existência...o oceano é o verdadeiro realizados de todas as coisas...

A existência, Deus é impessoal, ilimitado, indivisível...
É um Todo manifesto, que assim como ondas do oceano, emerge e se dissolve em si mesmo.
O que se percebe (as aparências) são mesmo bastante diferentes, mas isso é apenas ilusão, pois são a mesma e única manifestação impessoal, se manifestando, e experimentando a si mesma sob infinitas formas, atitudes, maneiras..enfim...mas sempre a mesma e única impessoalidade divina...aqui e agora...

Acreditar que existem pessoas, separadas umas das outras, é na verdade se deixar iludir pelos sentidos.
Na medida em que se aprofunda na consciência, fica claro que nunca houve, nem nunca haverá "alguém", ou "alguma coisa" separada de nada. Não tem como haver.
Só mesmo Deus É, único,manifesto, absoluto...nos aparentes "eu" ou "você", "tudo" e "todos".
Amor
Lilian

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