13 de dezembro de 2010

Aquietai-vos...


Aquietai-vos e sabei que EU SOU Deus. ( Salmo 46)
Com essa frase iluminada, queria hoje começar esta reflexão.

O que nos move? O que nos faz Ser? Qual a fonte que jorra em nós, e que nos permite usufruir da existência, dizer sim aos acontecimentos, acolher com o coração aberto, sorrir, e cantar com a criação a mesma e única sinfonia divina?

Se meditarmos profundamente sobre isso, o que acontece é um profundo sentimento de gratidão e de paz.
Uma paz que é sem nome, sem condicionantes, simplesmente um estado natural de paz. O que equivale a uma transparência, uma luminescência interior que reflete a si mesma em todas as direções, em todas as dimensões da vida.

A fonte de vida, a existência, Deus, como queiram nomeá-la, simplesmente É. Irradia, aflora, espalha-se, sem nenhum sentido lógico, sem nenhuma condicionante...É porque É...

Acolher essa fonte em nós, é permitir que sejamos guiados pela não-mente, sermos guiados pela sensações profundas, sutis, que sopram como brisas leves no âmago de cada um, no silencio dos nossos corações...Esta é uma canção universal, que é cantada em nós, vem de dentro na verdade...ressoa da fonte...e para que possamos escutá-la, ou percebê-la profundamente com a consciência, é necessário primeiro que estejamos silenciosos, internamente.

Uma mente ruidosa, tagarela, impede que a sutil sinfonia divina seja percebida, seja acolhida e mais que isso, seja realmente valorizada como guia, como referência nas nossas vidas, seja para tomar decisões, seja para simplesmente relaxar nela e mergulhar na paz que ela evoca.

Vale lembrar aqui, que o silêncio, a melodia divina da paz já existe em cada um de nós. Não vem de fora, não tem como vir de fora. É simplesmente o estado natural da consciência, que somos nós. Este estado natural só precisa ser relembrado, ser retomado, ser acessado novamente, voluntariamente, conscientemente, e deixar que todo o processo acontece naturalmente. Sem nenhum esforço, pelo contrário, o não-esforço é a chave de toda realização interior.

Quando o silêncio é alcançado, pelo não-esforço, simplesmente pela meditação, pelo relaxamento na consciência, no Ser, a irradiancia luminosa que acontece colore com amor toda a existência, e nada, absolutamente nada, interfere nessa dimensão, abala ou mesmo cria qualquer "ruído" nessa paz profunda que se cria.
Daí ser possível se viver em completa transparência, em profunda reverência e gratidão. O Sim do Tantra, se torna tão natural, tão espontâneo, como respirar...nenhum julgamento, nenhum questionamento, nenhuma pergunta, nada, absolutamente nada é necessário...tudo já está perfeito, em perfeita sintonia, em perfeita sinfonia divina...

Neste momento, exatamente aqui e agora, este estado já existe em cada um de vocês. Não é ficção, não é ilusão...já existe plenamente em cada um de vocês, basta que experimentem.
Tudo que ainda impede que vivamos isso, são as barreiras mentais, que nos fazem acreditar que nós somos frágeis, pequeninos, insignificantes e sem valor. As memórias condicionantes nos fazem crer que ainda falta muita práticas, muitas penitências, muitas purificações, para alcançarmos esse estado luminoso... e isso também é mais uma criação mental...

Buscar a luz, é Ser a própria luz.
Se algo ressona em nós, e nos chama, mesmo que não saibamos muito bem o que é, mostra que existe um eco, uma onda externa, que cria uma onda interna, e isso é o que os verdadeiros mestres fazem em nós. Criam um eco, criam uma sede, criam um espaço, espaço este que aponta para algo indefinível, mas que fala tão alto em nossos corações, que é impossível não escutá-lo.

Com isso, acolhemos em nossos corações essa frase: Aquietai-vos e verei que EU SOU Deus, a mais bela das verdades está contida aqui: Pelo silenciar da mente, a fonte luminosa e pacífica da consciência é novamente alcançada, e através dela, com ela, e nela, toda a existência é finalmente reconhecida como a mesma e única manifestação da absoluta consciência EU SOU.
Ou seja, finalmente, todas as "barreiras" foram quebradas, todo ruído silenciou...e o que resta é o que sempre existiu de verdade...O EU SOU, é o próprio Deus que se manifesta em nós, Deus em nós, Deus através de nós...
Amor
Lilian

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