30 de dezembro de 2010

Informação e experiência...



O homem está absolutamente inconsciente do seu próprio SER.
Ele sabe de tudo, ele tenta saber de tudo o mais, exceto seu próprio SER. Pela simples razão de que ele se toma como conhecedor de si mesmo.

Ele pensa como se ele conhecesse a si mesmo. E existe o erro fundamental, o engano mais fundamental que a pessoa pode cometer.

Nós somos, mas nós não sabemos QUEM somos.
Nossos nomes nos enganam: eles nos dão a sensação como se fosse isso o que nós somos.
Nossos corpos refletidos no espelho, nossos rostos refletidos nos olhos das pessoas, vão nos dando uma certa ideia de nossa identidade. Devagar, devagarinho, vamos juntando todas essas informações e criando uma imagem de nós mesmos que é completamente falsa. Este não é o modo da pessoa se conhecer. A pessoa não pode se conhecer por se olhar no espelho, porque os espelhos podem apenas refletir o seu corpo - e você não é o seu corpo.

Você está no corpo, mas você não é o corpo. Seu comportamento, seu caráter, suas ações podem mostra sua mente, mas não você.(...)

O homem é mais, muito mais do que a soma total de suas ações: o homem é o âmago da consciência mais profunda do seu corpo, da sua mente, de suas ações.
A menos que você tome ciência da sua consciência, a menos que você se torne ciente da sua luz interior, você vai continuar vivendo nas ilusões. E nós perpetuamos as ilusões porque elas baratas, facilmente disponíveis - não custam nadam e podem ser-nos dadas por outros.

Descobrir a si mesmo é árduo: é entrar na maior pesquisa exploratória possível. É mais fácil ir a lua, mais fácil ir ao Everest. É muito mais árduo ir até o próprio centro da pessoa- pela simples razão de que você terá que viajar sozinho, inteiramente sozinho. Como diz um dos maiores místicos gregos, Plotino : "É um vôo do só para o sozinho"

Eis porque tão pouca gente se tornou iluminada, quando na verdade é direito de nascimento de todo mundo, tornar-se iluminado. E se às vezes, por acidente, as pessoas ficam interessadas em saber sobre elas mesmas, elas imediatamente tornam-se vítimas das palavras - teorias, filosofias, ideologias...Elas tornam-se vítimas das escrituras, das doutrinas, dos dogmas - novamente ficam perdidas na selva de palavras.

Sim, você encontrará lindos dizeres nelas, cheios de significados, mas esse significado permanecerá escondido para você - você não será capaz de descobri-lo. Você não é capaz de descobrir a si mesmo; você não pode descobrir o significado das palavras de Gautama, O Buda, nem das de Jesus, O Cristo, nem das de Mahavira, O Jaina - impossível.

Você pode compreender apenas aquele tanto que você experienciou - a compreensão nunca vai além da sua experiência.
Palavras você pode acumular - você pode tornar-se erudito, um grande erudito. E de novo você estará numa nova espécie de ilusão que a informação cria.

Quanto mais informação você tem, mais você pensa que sabe.

A informação é pensada como sendo sinônimo de sabedoria - ela não é. Sabedoria é um caso totalmente diferente. Sabedoria é experienciar; a informação acumula-se no sistema de memória.
Osho em Zen, A transmissão especial.

Neste texto, nosso amado mestre Osho, nos mostra que a descoberta do Ser é Vivencial, é Experiência é consciência no aqui-agora, momento a momento.
A mente, os pensamentos nos jogam para o futuro, e o passado. Temos a nítida sensação de que quando pensamos em algo, ou alguém, estamos lá com aquela pessoa, ou naquele lugar, mas na realidade não estamos, continuamos aqui e agora onde nosso corpo está, sempre aqui e agora.

Isso cria uma ilusão, uma tensão e na verdade não estamos nem lá, nem cá !!
Estamos em lugar nenhum. Estamos perdendo vida, estamos perdendo o presente, que é onde o verdadeiro milagre acontece.

O Zen nos convida a viver conscientes do presente, do agora, do aqui, e tudo o que nós façamos, seja feito com a máxima atenção, a máxima consciência, nos mínimos detalhes. Para que nossa mente vá aos poucos perdendo o domínio sobre nós, e possamos cada vez mais experimentar o momento presente e saboreá-lo na sua maior profundidade. Dessa maneira, aos poucos vamos percebendo a riqueza de detalhes que acontecem a nossa volta, que nem nos damos conta, que antes passavam desapercebidos e que com mais e mais atenção, vão se transformando em experiência, em vivência, em sabedoria.
E isso é o sentido da vida, experiência-la totalmente, plenamente, conscientemente...
Amor
Lilian

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails