27 de abril de 2014

Vacuidade - Padma Santen


"As coisas não são sólidas. Se elas não são sólidas é porque elas emergem, elas co-emergem, as aparências co-emergem. Então eu preciso entender isso. Isso é uma vacuidade lúdica. Não estou me dando conta que as coisas não existem. Estou me dando conta de como é que elas aparecem, como elas surgem. Eu vou utilizar esse mecanismo para ultrapassar o sofrimento e trazer benefício aos seres. 

Então essa vacuidade ela não é o objetivo final, a gente vai adiante na prática. Tampouco é a manipulação dessas aparências é nosso objetivo. Nós vamos localizar que além dos fenômenos de indexação e co-emergência existe uma natureza livre.

Se as coisas surgem por co-emergência elas brotam. Desse modo existe um estado anterior de brotar. (...)

O ensinamento do Buda é assim: esse conjunto de surgimentos e de
dissoluções não importa. O que importa realmente é que tem uma natureza livre, uma condição estável fora desse surgimento e dissolução. (...)
O mesmo lugar onde as ondas surgem é o mesmo lugar onde as coisas desaparecem. Por isso tem aquela analogia com o mar. O mar continua, o mar é que importa.

Aqui, enquanto estamos estudando prajnaparamita, estamos nos dando conta que as ondas e os formatos das ondas evocam coisas mas são apenas ondas, aquilo surge e cessa. Eu posso também fazer essas ondas surgirem. Eu posso olhar as ondas de diferentes modos, produzindo outras aparências, mas esse fenômeno não é o mais importante, o mais importante é que há essa natureza livre.

Então quando a gente pensa no mar, naquilo que é “sólido”, nós pensamos como a grande espacialidade. Dessa grande espacialidade surgem as formas e as formas se dissolvem. O surgimento das formas vamos chamar luminosidade, e o fato de que elas são co-emergentes, que elas não tem substancialidade em si mesmas, é chamado de vacuidade.

Vacuidade é uma característica da luminosidade. (...)
As aparências que surgem por luminosidade, elas são vazias. São como traços no ar, como faíscas atmosféricas. Elas são como sons, como ecos. Existem vários exemplos da vacuidade.

A vacuidade surge desse modo, a aparência da vacuidade surge assim. E como nós estamos presos às aparências das coisas como se fosse externa a nós, fixa e real, nós estamos presos à insatisfatoriedade, à impermanência ao sofrimento. Nossa mente, operando ligada a essas aparências, passa por insatisfatoriedade, impermanência e sofrimento. Inevitável! 

Assim, a insatisfatoriedade, a impermanência e o sofrimento… os próprios
sofrimentos! A roda da vida é a história disso.
Mas como nós estamos tão sérios dentro dessas realidades, fazendo tantos esforços, a gente tem a sensação de que isso é o mundo completamente sólido, por isso a gente precisa de prajnaparamita, que olha as formas, as sensações, a formação mental e a consciência como vacuidade.”
Lama Padma Santen em Satsang em Viamão/RS

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