26 de abril de 2014

Pensamentos Obsessivos -O.M. Aïvanhov


"Pergunta: Temos pensamentos repetitivos, obsessivos, às vezes de rejeição. O que pode dizer sobre isto?
O.M. Aïvanhov - A Isto remete ao que é denominado o medo do abandono e o medo da traição. Quer dizer, a característica destes pensamentos obsessivos é que eles são induzidos por apegos ligados a feridas que foram vividas.
(...) 
Não adianta encontrar elementos que desencadearam isso. A pessoa diz: "eu tenho pensamentos". Mas, não é você quem tem pensamentos, são os pensamentos que surgem em sua mente, no seu cérebro mais arcaico, que lhe sussurra coisas muito desagradáveis às quais você se identifica e portanto terá de enfrentar.

Primeiramente, você não é esses pensamentos; isto foi dito, repetido, incansavelmente. Enquanto você se identificar com esse gênero de pensamentos, você não poderá acessar a liberdade e ser

Livre efetivamente. Ou seja, quando você leva sua consciência, sua atenção, sobre um pensamento que chega, a primeira coisa que você faz é dizer: “são meus pensamentos”. Mas, não! São secreções que estão ligadas às feridas passadas.

Portanto, é preciso se desidentificar, já, desses pensamentos passados, porque eles não são você. Quando você têm pensamentos como esse, o que isso quer dizer? Isso quer dizer, evidentemente, que você não está suficientemente instalado no instante presente.

No instante presente não há pensamentos. Desde que haja um pensamento, você não está mais no instante presente e as transformações de sua consciência, o que você vive, lhes mostram isso.

Como diz BIDI ( Nisargadatta Maharaj ), você ainda atua na peça de teatro e isso é o que você não consegue ver. Você ainda está iludido e convencido de que é a pessoa que vive isso. Enquanto você estiver identificado com este corpo, enquanto você estiver identificado com sua pessoa e com seus pensamentos, é muito simples, você não pode encontrar a Liberdade. (...) isto quer dizer que há um trabalho de distanciamento entre o Ser e aquele que pensa ser os pensamentos.

A primeira coisa a fazer é conscientizar-se imediatamente de que você não é esses pensamentos. É preciso vê-los passar. Todos os ensinamentos sobre meditação já falaram longamente disso.

Enquanto houver emoções, enquanto houver medos e desejos, enquanto houver este tipo de pensamentos, você não pode ser Livre. Você pode viver momentos maravilhosos, de pura gratidão, onde pode viver aparentemente momentos de Graça. Porém, viver momentos e experiências passageiras não é estar estabelecido, de fato, na Liberdade.

Enquanto você jogar o jogo desses pensamentos que chegam e que vocês estão persuadidos que são seus, você não tem nenhuma liberdade. Este é o trabalho da Luz, não somente do Abandono à Luz, mas quando você aceitar abandonar a Si próprio, enquanto este personagem vivendo uma história. Senão, esses pensamentos vão, literalmente, esmorecer a sua vida.(...)

Enquanto você acreditar que é você quem pensa, há engano.
Sobretudo por este tipo de pensamentos que surgem e aparecem o
tempo todo.
O.M. Aïvanhov

***
Pensamentos nos visitam. Chegam e passam. Não tem nenhum poder sobre nós. Pensamentos são energia em fluxo, retê-los cria dor e sofrimento, observá-los vir e também ir, não causa mal algum.
A mente é energia em fluxo constante, passando pela tela da observação que é a consciência. 
Os pensamentos, emoções, são como as águas de um rio, estão sempre em fluxo. Observar aquilo que surge na mente sem se identificar nos torna livres de tudo aquilo que a mente teima em nos dizer. Estaremos livres para desfrutar sem não nos identificarmos com nada que a mente nos diga.

Quando os pensamentos são alimentados, são fortalecidos pela luz da consciência, eles se tornam mais e mais fortes, e a consciência acaba por se identificar com eles, e isso "gera" os chamados pensamentos obsessivos. Nessa identificação muita coisa pode acontecer, porque agora, aquilo que era simples energia em fluxo, ganha força, ganha forma e gera ação, gera uma cadeia infinita de eventos, que não temos nenhuma noção para onde irão, nem em quem, nem como.

A Liberdade - como nos coloca lindamente Aivanhov neste texto - não é se livrar dos pensamentos, mas sim o reconhecimento de que eu não sou os pensamentos, sou o observador dos pensamentos, assim como das emoções, memórias, sentimentos... enfim.. observação pura, sem qualquer envolvimento.
Essa Liberdade não é fuga de nada, não é evitação, é uma conscientização daquilo que não é real, ou seja, é o reconhecimento de que a mente é fluxo, mas que EU enquanto Consciência sou o Observador desse fluxo, e nisso reside toda a Liberdade do Ser, e Ser além da mente.
Amor
Amidha Prem.

Um comentário:

  1. Idendificar-se com o pensamento que vem do Eu Inferior é deixar de ouvir nosso Eu Superior

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