21 de janeiro de 2013

EU SOU é a Fonte - Nisargadatta

"A permanência na consciência remove todos os problemas passados e futuros e estabiliza a pessoa no presente – Aqui e Agora.(...)
Bem, é bom ter conversas desse tipo, mas embeber e realizar a essência é muito difícil, de fato.


Por que? Porque você acredita firmemente que você é o corpo e vive 
de acordo, enquanto alimenta desejos apaixonados de que você vai conquistar algo bom no mundo, e mais tarde algo ainda melhor. Essas expectativas estão baseadas primeiramente numa noção errônea de que você é o corpo.(..)
A consciência é o sentido de se estar ciente, “eu sou” sem palavras, e ela apareceu inconscientemente e sem ser solicitada. 
Ela é a força vital universal manifesta e, portanto, não pode ser individualista. 

Ela se estende dentro e fora, como o brilho de um diamante. 
Você vê um mundo de sonhos dentro de você e um mundo perceptível fora de você, previsto que a consciência prevalece. Do nível do corpo, você pode dizer dentro e fora do corpo, mas do ponto de vista da consciência, onde e o que é dentro e fora? Apenas no reino do sentido de estar ciente “eu sou” - a consciência – pode o mundo existir, e também uma experiência pode existir.

Segure-se neste sentido de estar ciente “eu sou”, e
a fonte do conhecimento irá nascer dentro de você, revelando o mistério do Universo, do seu corpo e 
psiquê, da interação dos cinco elementos, dos três gunas e prakriti-purusha; e de tudo o mais. 

No processo dessa revelação, sua personalidade individualista confinada ao corpo se expandirá no universo manifestado e será realizado que você permeia e abarca o cosmos todo como seu “corpo” apenas. Isso é conhecido como o “Puro Super-Conhecimento” - shuddhavijnana.

Não obstante, mesmo no estado sublime
shuddhavijnana, a mente se recusa a acreditar que ela é uma não-entidade. Mas conforme afundarmos na consciência, desenvolveremos uma firme convicção de que o conhecimento “eu sou” - o sentido do seu ser – é a própria fonte do mundo. 

Apenas esse conhecimento faz você sentir que “você é” e que o mundo é. Na verdade, esse conhecimento manifesto, tendo ocupado e permeado o cosmos, reside em você como o conhecimento “você é”. 
Segure-se a esse conhecimento. Não tente dar-lhe um nome ou um título.

Agora chegando numa situação muito sutil: o que é
isso em você que entende esse conhecimento “eu sou” - ou do seu ponto de vista “eu sou”, sem nome, título ou palavra? Afunde-se no centro mais íntimo e testemunhe o conhecimento “eu sou” e apenas Seja. 

Essa é a “bênção do ser” - o swarupananda.

Você deriva prazer e felicidade através da ajuda de
vários auxílios e processos externos. Alguns gostam de apreciar uma boa comida, alguns gostam de ver um filme, alguns ficam absorvidos na música … e assim por diante. Para todas essas apreciações alguns fatores externos são essenciais.
Mas para residir na “bênção do ser”, absolutamente nenhuma ajuda externa é requerida. Para entender isso, tome o exemplo do sono profundo. Uma vez que você esteja em sono profundo, nenhuma ajuda ou tratamento serão requeridos e você aprecia uma felicidade silenciosa.

Por que? Porque nesse estado a identidade com um corpo masculino ou feminino é esquecida totalmente.

Alguns visitantes me perguntam, “Por favor mostre-
nos o caminho que nos levará à Realidade”. Como eu poderia? Todos os caminhos levam à irrealidade. 

Caminhos são criações dentro do escopo do conhecimento. Portanto, caminhos e movimentos não podem transportá-lo para a Realidade, pois a função deles é enredar você dentro da dimensão do conhecimento, enquanto que a Realidade prevalece antes dessa dimensão. Para compreender isso, você deve fixar-se na fonte da sua criação, no início do conhecimento “eu sou”.

Enquanto não atingir isso, você estará enrolado nas correntes forjadas por sua mente e ficará enredado nas correntes das outras pessoas. Portanto, eu repito, você se estabiliza na fonte do seu ser e então todas as correntes irão se romper e você será liberado. Você irá transcender o tempo, estará além dos tentáculos dele e prevalecerá na Eternidade. (...)
Esse estado de beatitude extática – o ser afundando-se abençoadamente no Ser. Esse êxtase está além das palavras, ele é também o estado de estar ciente em total quietude.

A quintessência do discurso está clara. Sua posse
mais importante é o “conhecimento” que “você é” anterior à emanação da mente. 
Segure-se a esse “conhecimento” e medite. Nada é superior a isso, nem mesmo a devoção ao guru – guru bakti – ou a devoção a Deus – Iswara bhakti."
Nisargadatta Maharaj em Nectar of Immortality

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