26 de setembro de 2011

A Felicidade do Ser...


Pergunta: Quando contemplo minha verdadeira natureza, estou no “Eu sou”. Um sentimento de amor sem causa me invade então. Será que esse sentimento é justo ou ainda é uma ilusão?

Ranjit Maharaj: É a felicidade do Ser. Você prova a presença “Eu sou”.
Você esquece tudo, os conceitos e a ilusão, é um estado não-condicionado.
Essa felicidade aparece na ignorância ou no esquecimento do objeto, mas na felicidade há sempre um leve contato do ser, está tocado. Afinal, isso é ainda um conceito.

Quando você está cansado do mundo exterior, você quer ficar recolhido em você. É a experiência de um estado elevado, mas ainda da mente. O Ser não tem nem prazer nem desprazer. Sem o “eu” Eu sou.
O esquecimento total da ilusão quer dizer que nada é, nada existe. Ela está ali de certa maneira, mas para você não tem mais realidade. É o que chamamos por realização ou conhecimento de si. É a realização de si sem o “eu”, sem a experiência.

Se alguém o chama, você responde: “estou aqui”, mas antes de dizer “estou aqui”, você era. Seu sentimento de ser não estava ali, mas quando é chamado, esse sentimento jorra espontaneamente. Assim, é chamado não-condicionado.

A ilusão não pode trazer nada mais á realidade, não pode dar algo de “extraordinário” á realidade, porque a realidade é a base de tudo que existe.
Tudo que é, o que você vê, os objetos da sua percepção, tudo isso é apenas devido á realidade. A ignorância e o conhecimento não existem, eles não são.

Então qual é a expressão que você pode dar-lhes? Quando você dá uma expressão, isso quer dizer que há algo experimentado. E é a experiência do que de fato não existe. Assim que você sente algo, você se afasta de si – mesmo. Você sente amor, é muito melhor que ficar na ignorância, mas afinal é sempre um estado, e um estado é sempre condicionado. O não-condicionado é sem estado.

Trata-se da experiência da não-existencia da ilusão. Se você sentir existência por menor que seja, é ignorância. Isso é muito sutil, a ignorância e o conhecimento são ambos sutis. É difícil entender, mas se dedicar realmente a essa investigação, conseguira esse estado. Isso é, e sempre foi, mas você não sabe, é a dificuldade.

Não há um único lugar, um único ponto onde a realidade não seja. Você experimenta sua existência a través os objetos, mas tudo isso não é nada. Ela é onipresente, mas não pode vê-la. Por quê? Porque você é ela – mesma, a realidade, como você pode ver a si – mesmo? Para ver sua face, você precisa de um espelho.

A verdadeira felicidade está em você, e não fora de você. No sono profundo você é feliz, está na ignorância do mundo.

Assim a felicidade reside no esquecimento do mundo. Deixe o mundo do jeito que é, não o destrói, mas saiba que ele não é. Faça todas as coisas que tem a fazer, mas esteja sempre de fora, afastado pela compreensão, porque tudo que você sente, percebe e faz é ilusão, não existe. Sua mente deve aceitar isso. Os sábios dizem “Já que isso é nada, como esse nada pode afetá-lo?” Mas o que diz sua mente o afeta, o toca... Então, que fazer? A mente é nada mais que conhecimento, mas isso não está certo.(...)

É dito que aquele que mergulha nas profundezas do oceano encontra a perola. Aquele que fica na superfície é arrastado no turbilhão do prazer e do sofrimento. Você deve mergulhar fundo no ilimitado porque é ali que você está. Nunca pare ao finito, ao limitado. O ouro não se preocupa com as formas que moldam as jóias, isso pode ser a figurinha dum cachorro ou duma divindade, é indiferente ás formas.
Da mesma maneira, seja indiferente ás coisas porque não existem, nada pode tocá-lo, você não está ligado. A mente deve chegar á plena compreensão do que é a ilusão. O que sobrou é seu estado.

Nada sobrou para aquele que entendeu, não há nem ganho nem perda.

Não me pergunte se você pode alcançar a realidade, porque você é a realidade, então porque dizer: “posso?”. Primeiramente, saia do círculo, largue as coisas uma após outra, e mergulhe em você – mesmo. Em seguida volte, e esteja em tudo.

O que descreveu é um bom estado, não há dúvida á respeito, mas vá um pouco mais longe. Quando a mente aceita que tudo é ilusão, tudo apenas ilusão, então você está em você – mesmo. O corpo e a mente são ilusões, você deveria estar feliz por saber isso. Livre-se dessa identificação.

A única coisa que o mestre faz é dar seu real valor ao poder que está em você, ao qual você não dá nenhuma importância. Ele não faz mais nada. Era uma pedra, e o mestre revela sua verdadeira natureza que é o diamante. Faz de você – mesmo a pedra mais preciosa.

Eu sou onipotente, onipresente, sou o criador de tudo que é. Quando você está na base de tudo, você é tudo, então, até um assassino não pode ser considerado como mal. Tudo que acontece é “minha ordem”. Seja o mestre, não o escravo. Você já é o mestre."
Mestre Ranjit Maharaj em Satsang

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