1 de setembro de 2011

Chama Viva...


"Quando se mergulha na consciência do eterno agora, e se abandona a ficção do "eu separado", o que se vê é a realidade iluminada, ou Deus como uma chama. É viva, sempre em movimento, numa eterna dança -a chama é sempre aqui.
Não há nada que seja permanente nesta chama, nada que seja estático ou estável. Se acontecer, estará morta.

Realidade é viva, sempre em movimento, como uma flâmula que tremula ao vento.
Verdade é movimento contínuo.
Este movimento, essa vivência da Verdade, é constante. Nunca cessa. É atemporal.
Impermanência é algo contínuo, algo que é em constante movimento, e isso permanece.

Esta quietude do Ser acontece quando toda resistência ao movimento, a impermanência, ao aliveness, está ausente. Quanto toda resistência é ausente, acontece uma "ausência".
Quando toda resistência é ausente, acontece uma quietude viva. Ela é totalmente presente, silenciosa, mas em movimento sem fim. Parece até que não está se movendo só porque não há qualquer resistência.

Imagine que você esteja em um trem em movimento acelerado. Dentro do trem não há a resistência do vento, então você não pode ouvir o som do vento dentro do trem, nem nenhuma resistência entre o trilho e o vagão; você está dentro do trem, onde tudo permanece em perfeito equilíbrio. Mas você pode sentir que a sua volta tudo se move muito rápido, e na quietude interior tudo permanece em perfeita paz e serenidade. A quietude do Ser é assim, aquilo que chamamos de permanecer na quietude, sem qualquer resistência.

Vivenciar, experimentar este estado é de suma importância, mesmo que você compreenda ou não, porque você pode chegar bem perto dele, e mesmo assim, perder o ponto. Talvez você experimente alguma quietude e beleza interior, ou a liberdade que advém dessa experiência, mas, se você pensar nisso como uma coisa estática, fixa, como se fosse algo que você pudesse levar para casa, quando você chegar em casa e abrir suas mãos, o que encontrará será uma coisa morta.
Uma chama aprisionada se extingue. Quando a vivacidade do momento é vivida sem resistência, acontece a quietude, e é fluida, móvel, e você não pode retê-la, pode-se apenas fluir com ela, experimentá-la em si mesmo.

Você pode encontrar nesta metáfora da chama muitas outras coisas. Se você olhar profundamente em uma chama, verá que existem pequenas faíscas que flutuam a sua volta e essa dança é a luminescência viva. Tudo aquilo que se vê, advém desse movimento, dessa dança que ilumina tudo a volta, mas a luz verdadeiramente, esta permanece invisível. Esta luz é como a chama da Verdade realizando insights, realizações e revelando a Si mesma no despertar.

Bendita seja a chama da Verdade, que é viva no fundo do nossos corações, sempre vibrando numa ondulação constante, não descontroladamente, mas serena e constante.
Esta é a experiência se transforma em insight. Esta ondulação, move o coração em direção a união com o Ser; É mais que uma união, nem uma realização, mas mais uma alegria que esta união e a delicadeza serena manifesta na beleza singular do Amor.

Bendito seja o coração e a chama viva que o mantém. Possam vocês sempre estarem voltados para essa chama original. Este é o sagrado vivo em nós, onde não há mais nenhuma distinção, nenhuma resistência, apenas uma quietude silenciosa que permanece acolhedora e pacífica, vibrando, cintilante.
A chama da Verdade é o Absoluto, Deus vivo em nós."
Adyashanti em Emptiness Dancing

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