10 de janeiro de 2014

Desapareça em Turiya - Osho


"Este é o primeiro passo em direção ao misterioso, e o passo fundamental é: se você conseguir ser um participante por um momento, terá conhecido a chave, o segredo. 

Então torne-se um participante em tudo o que estiver fazendo. Caminhe, mas não caminhe apenas mecanicamente, não caminhe apenas observando o caminho - seja o caminhar. Dance, mas não dance tecnicamente; a técnica é irrelevante. Você pode estar tecnicamente correto e ainda assim perder toda a alegria da dança. Dissolva-se na dança, torne-se a dança, esqueça-se do dançarino.

Quando essa unidade profunda começar a acontecer em muitas, muitas fases de sua vida; quando tudo à sua volta começar a ter essas extraordinárias experiências de desaparecimento, do nada, de ausência de ego; quando a flor estiver ali e você não, quando o arco-íris estiver ali e você não; quando as nuvens estiverem vagando no céu dentro e fora de você e você não existir como um eu; quando houver o completo silêncio no que diz respeito a você; quando não houver ninguém em você, apenas um puro silêncio, um silêncio virgem, não distraído e não perturbado pela lógica, pelo pensamento, pela emoção, pelo sentimento, esse é o momento da meditação. A mente se foi, e quando a mente se vai o mistério entra.

O mistério e a mente não podem existir juntos; eles não são, por sua própria natureza, coexistenciais. Assim como a escuridão e a luz: você não pode ter ambas em seu quarto. Se você quer a escuridão, tem de extinguir a luz; se você quer a luz, tem de abrir mão da escuridão. Você só pode ter uma, pela simples razão de que a presença da luz é a ausência da escuridão, e a presença da escuridão é a ausência de luz; na verdade, elas não são duas coisas. O mesmo fenômeno, quando presente é luz; quando ausente é escuridão. Você não pode lidar com ambas, ter a presença e a ausência juntas.

A mente é a presença do não misterioso, do lógico; a meditação é a presença do misterioso, do milagroso.

Assim, distancie-se da mente. Deixe que a arte, a poesia, a pintura, a dança tornem-se mais importantes - elas irão aproximá-lo mais da meditação - e finalmente, mergulhe. Se você tiver provado algo da poesia, encontrará a coragem suficiente para dar o mergulho fundamental.
Dessa forma, para mim, a religião consiste em três camadas.
A primeira é a da ciência. Assim como seu corpo é feito de constituintes materiais, atômicos, a religião consiste primeiro de sua parte mais periférica, de ciência. Não sou contra a ciência - a ciência é uma necessidade absoluta - mas ela é apenas um fenômeno periférico, o mais superficial, o primeiro círculo concêntrico em torno do seu centro. Então vem o segundo circulo concêntrico, que é mais profundo que a ciência; aquele da arte, da estética. E depois vem o terceiro, aquele da meditação. E se você tiver entrado nesses três círculos concêntricos, lentamente, muito lentamente, atingirá o quarto círculo.

O quarto círculo no Oriente é chamado de turiya. 

Nós não lhe damos nenhum nome, simplesmente lhe damos um número: "o quarto". Nada pode ser dito sobre ele, por isso nenhum nome foi dado a ele. Ele está além do misterioso. A meditação vai conduzi-lo para o misterioso, mas lá há ainda algo mais do que isso; e isso é inexplicável.  

Nada pode ser dito a respeito dele, nada jamais foi dito a respeito dele, nada jamais será dito a respeito dele, mas ele tem sido experienciado. 
Só no último pico da experiência, nesse êxtase final, você saberá 
o que é Ser. (...)

Explore a poesia, explore a música, explore a dança, explore a meditação e, por fim, e fundamentalmente, desapareça em turiya."
Osho em Inocência, conhecimento e encantamento.

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