16 de fevereiro de 2013

Vida e morte - Osho

"A morte do ego não é a sua morte. A morte do ego é na verdade a sua possibilidade de vida.

O ego é uma crosta morta em volta de você, ela tem de ser quebrada e atirada fora. Ela surge naturalmente - como a poeira que vai se acumulando num viajante, sobre a sua roupa, sobre seu corpo, e ele tem de tomar banho para se livra dessa poeira.

À medida que nos movemos no tempo, a poeira das experiências, do conhecimento, da vida vivida, do passado vai se acumulando. Essa poeria se torna nosso ego. Acumulada, ela vira uma crosta em volta de nós, que tem que ser quebrada e atirada fora. A pessoa tem de tomar banho continuamente todos os dias, na verdade, a cada momento, de modo que essa crosta nunca se torne uma prisão.
O ego tem medo do amor, porque no amor a vida chega a um pico. E sempre que há um pico de vida, há também um pico de morte - eles vêm juntos.

No amor, você morre e você nasce. O mesmo acontece quando você medita, ou ora, ou quando você vem a um Mestre. O ego cria toda a sorte de dificuldades, racionalizações, para não se render. (...)

Deixe isso presente na memória: a morte e a vida formam uma mesma chama - elas nunca estão separadas.(...) Quando mais você estiver se aproximando do pico, mais próximas elas começam a ficar. Exatamente no ápice elas se encontram e se tornam uma.

No amor, na meditação, na confiança, na oração, onde quer que a vida se torne total, a morte está ali. Sem a morte, a vida não pode ser total. Mas o ego sempre pensa em termos de divisão, de dualidade, ele divide tudo.

A existência é indivisível, ela não pode ser dividida.

Você foi uma criança, depois se tornou um jovem... você pode demarcar uma linha de quando você se tornou jovem? Pode marcar um ponto no tempo onde de repente você deixou de ser criança e se transformou em um jovem? Um dia você fica velho. Você pode demarcar a linha de quando você se torna velho?

Processos não podem ser demarcados. Exatamente o mesmo ocorre quado você nasce. Você pode determinar quando você nasce? Quando a vida realmente começa? Ela se inicia quando a criança começa a respirar? Quando o médico dá uma palmada na criança e ela começa a respirar? É aí que a vida nasce? Ou é quando a criança entra no útero, quando a mãe fica grávida, quando a criança é concebida? É aí que a vida começa? Ou mesmo antes disso? Quando avida começa exatamente?

Ela é um processo sem começo sem fim. Ela nunca começa. Quando uma pessoa morre? Uma pessoa morre quando a respiração pára? Muito yogues já provaram, com bases científicas, que eles podem parar de respirar e que ainda assim permanecem vivos e podem voltar. Dessa forma, a parada da respiração não pode ser o fim. Onde a vida termina?

Ela não termina em lugar nenhum, ela não começa em lugar nenhum. Estamos envolvidos pela eternidade. Temos estado aqui desde o começo - se houve um começo - e estaremos aqui até o fim de tudo, se é que haverá um fim; Na verdade não pode haver nenhum começo e não pode haver nenhum fim. Nós somos a vida - mesmo que as formas mudem, que os corpos mudem, que as mentes mudem. O que chamamos de vida é apenas uma identificação com um certo corpo, com uma certa mente, com uma certa atitude. E o que chamamos de morte nada mais é que o abandono dessa forma, desse corpo, desse conceito.

Você se muda de casa. Se você ficar muito identificado com uma casa, então a mudança de casa será muito dolorosa. Você acha que está morrendo, porque a velha casa era você - aquela era sua identidade. Mas isso não acontece porque você sabe que está apenas mudando de casa, você permanece o mesmo. Aqueles que olharam para dentro de si, aqueles que descobriram quem eles são vieram a conhecer um processo eterno, sem fim.

A vida é um processo sem tempo, além do tempo, A morte faz parte dele.

A morte é uma revivescência contínua, um auxílio para que a vida ressuscite outra vez e novamente, um auxílio para que avida se livre da velhas formas, se livre das construções dilapidadas, se livre das velhas estruturas confinantes, de modo que, novamente você possa fluir e novamente, possa tornar-se novo, jovem mais uma vez..."
Osho em Vida, Amor e Riso.

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