26 de fevereiro de 2012

O Ser Essencial - Glória Arieira


"Quem eu sou? Quem de fato eu sou? Qual a minha natureza essencial? Quem é este que no sono profundo, consigo mesmo, está bem? Quem é esta pessoa que nos momentos de tranqüilidade, no alto da montanha, olhando para o rio, para o oceano, tendo abandonado todas as preocupações, está bem, em harmonia com o todo? Quem é este, que quando está consigo mesmo, está pleno e feliz?

Vedanta nos leva nesse questionamento passo a passo, na descoberta desse Ser essencial, que eu descubro nos momentos de felicidade.

O "eu" em mim que é o "eu" em cada um.

Este Ser que parece que eu encontro nos momentos de meditação. Mas eu não preciso encontrar com esta felicidade em alguma esquina, em alguns pequenos momentos da minha vida. Eu sou essa felicidade. "Eu sou esse Ser pleno" é o ensinamento de Vedanta. Somente conhecendo esse "eu" que é pleno, livre de toda a limitação, é que eu posso estar bem comigo mesmo, apesar das limitações. Independente das limitações de cada situação, eu sou livre. As situações podem mudar mas o Ser que é testemunha de todas as situações, de toda a dualidade, permanece. Vedanta não quer eliminar os pensamentos e sim reconhecê-los enquanto Consciência.
Não é possível eliminar completamente as situações que me trazem um sentimento de limitação e sofrimento pois esta é a natureza do mundo; mas eu posso ver este Ser essencial que eu sou independente das modificações.

Vedanta é o meio de conhecimento desse "eu" pleno e feliz.
Vedanta é um conhecimento encontrado no final dos Vedas que são um corpo de conhecimento preservado na Índia mas que é de toda a Humanidade, de quem questiona esse Ser essencial.

Esse Ser essencial que é cada um de nós. Somente conhecendo esse Ser que é livre de limitação, eu posso estar bem em qualquer que seja a situação limitada do mundo.

Consciente de mim mesmo, sou também consciente de uma série de limitações. Esse "eu" que eu conheço é limitado. Eu sou consciente de meu corpo físico. Sendo consciente do meu corpo físico, eu também sou consciente das limitações que ele possui. Ele tem grandes capacidades, mas também grandes limitações. A mesma coisa com a minha mente, que analisa, questiona, interpreta, mas tudo dentro das suas próprias limitações. Meu sofrimento se dá porque, auto-consciente, eu me vejo consciente das minhas limitações. E ao me ver como um ser limitado, de várias maneiras limitado, eu sofro. Eu sofro porque me sinto limitado e por isso a minha felicidade também é limitada. Eu me sinto constantemente inadequado. Eu tenho poder de produzir, de alcançar, mas é limitado. Devido a essa capacidade de olhar para si mesmo, o ser humano, muitas vezes, pode não gostar do que vê. Constantemente nos damos conta das nossas limitações e sofremos, pensando em como poderíamos ser mais felizes se conseguíssemos ser diferentes. Essa mesma mente, que é uma grande bênção, também pode ser um grande problema, quando nos dá este sentimento de limitação, e nos faz estar constantemente em conflito. Se eu não estou bem comigo mesmo é porque estou vivendo somente a realidade da mente. O ser do qual eu sou consciente, que eu reconheço, é um ser limitado, por isso saber lidar com esta mente é fundamental.

A solução está, não em tentar modificar as situações nas quais eu projeto a minha insatisfação. A solução está em modificar a minha visão de mim mesmo, modificar o ser insatisfeito. Jamais uma pessoa conseguiu verdadeiramente modificar o mundo à sua vontade. Isso porque tantas outras pessoas também querem modificar o mundo e têm padrões diferentes de como esse mundo deveria ser. Então jamais a solução poderia ser modificar o mundo para ajustá-lo à minha vontade. E tem mais. Por mais que eu consiga mudar, transformar o mundo a minha volta, no processo de modificar o mundo nossos valores também se modificam, e nos descobrimos desejando outras mudanças.
Se eu quero realmente ser feliz, preciso reconhecer que tenho que encontrar essa felicidade em mim mesmo, independente das situações.

Eu sou felicidade

Devido à bênção desse conhecimento é possível lidar bem com todo este universo. Meu intelecto, a mente, os pensamentos estão incluídos neste universo. Se eu me vejo como o ser pleno que eu realmente sou, em qualquer situação, a plenitude será a minha base, o meu refúgio. Assim, eu posso lidar com qualquer situação! Não preciso concordar com tudo, mas posso aceitar as coisas como são, pois ninguém precisa ser diferente para me satisfazer. Quando eu preciso que as outras pessoas sejam diferentes, que o mundo seja diferente, eu tenho problemas. Isso porque, assim como eu quero que o outro mude, o outro também quer que eu mude.

Quando eu estou bem comigo mesmo, posso lidar com qualquer situação, pois o meu copo já está cheio. Meu coração é grande demais, meu coração se torna amplo. Do tamanho do universo. Ele acomoda todo o universo. Eu não preciso concordar com tudo mas posso entender. Não preciso ser amigo do mundo inteiro mas posso aceitar as pessoas como são, pois é assim que elas conseguem ser. Eu não preciso modificar o mundo mas se alguém quiser mudar, eu posso colaborar. Eu estou bem porque eu sou a felicidade."
Glória Ariera - Mestre Vedanta

2 comentários:

  1. Que lindo e verdadeiro este texto!! Adoro absorver estas palavras em forma de luz.
    Tenha uma bela semana!♥
    Mari

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    1. Prá você também Mari querida!! Bjoss <3

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