9 de fevereiro de 2012

De ti ao Infinito - Ken Wilber


"O que vou fazer adiante é simplesmente "descrever" a identidade não dual agora mesmo, do modo como ela é imediatamente vista. O que se segue é fluxo de consciência, por isso perdoa qualquer falha. Simplesmente descontrai a mente e lê o que se segue levemente (se uma frase faz imediatamente sentido, bem, se não, continua lendo (relaxadamente):

O que você tem andado à procura é literalmente e exatamente o que lê esta página agora mesmo. Esta Identidade não pode ser encontrada pois nunca se perdeu: você sempre tem visto que você tem sido você mesmo .

Esta Identidade é uma condição permanente de tudo o que surge, é o espaço no qual tudo surge, nada tem fora de Si e por isso é paz absoluta, e irradia sua própria beleza em todas as direções. O João surge no espaço desta identidade, o João surge neste espaço infinito, nesta receptividade pura. O João é um objeto, assim tal qual uma árvore ou uma nuvem que surge no espaço da identidade que você é. Agora não estou falando ao João, estou falando para você que está ciente do João é esta Identidade sempre presente.

Esta Identidade está ciente do João surgindo agora mesmo.
Esta Identidade é Deus. Deus está lendo esta página.
O João não está lendo esta página, Deus está lendo esta página.

A Identidade está ciente do João e ciente desta página. Você não é o João. Você é o que está ciente do João. O que está ciente do João é uma Identidade que em si mesma não pode ser vista mas unicamente sentida, sentida como uma certeza absoluta, uma inabalável Identidade, EU SOU este EU SOU eternamente, intemporalmente, interminavelmente. Só existe esta Identidade em todas as direções.
Tudo surge espontaneamente no espaço desta grande perfeição que é esta Identidade, que está lendo esta página agora mesmo. E você, o João, é essa Identidade. Você sempre tem visto que é esta Identidade. Nunca houve um momento em que não soubeste que você é, você não consegue recordar um momento no qual você não foi você. A única coisa que sempre pode recordar é aquilo que esta Identidade fez. Só existe esta Identidade. Não a podes alcançar, pois é ela que tenta o alcance, não a podes ver, pois é ela que realiza a visão agora mesmo, isto significa que, tudo simplesmente surge na sua presença: o mundo inteiro surge na sua presença agora mesmo.

Você é esta extensão na qual tudo espontaneamente, sem esforço, surge. Você é Este Primeiro. Você sempre tem sido Este Primeiro. Só existe Este Primeiro. Não suponhas que O está tentando encontrar. Não suponha que tem se esquecido Dele.
A única coisa que sempre tem conhecido a única coisa que te é dado recordar, a única coisa que na verdade estás sentindo agora mesmo é Este Primeiro: a Identidade, a Presença, a qualidade de tudo, tal como é, e tal como surge na tua Presença – a simples sensação de Ser – que é tudo o que você sempre sente, permanentemente.

Olha as nuvens: elas estão surgindo na sua consciência: estão surgindo em ti. As nuvens estão fora do João, mas dentro da sua Identidade. Olha para o teu corpo e para esta sala. O seu corpo está nesta sala, mas ambos o seu corpo e esta sala surgem NA sua consciência. Você está literalmente sustentando-os amorosamente na sua consciência.

As montanhas estão aparecendo na sua consciência: estão surgindo em ti e você as sustenta-amorosamente na sua consciência, segurando o mundo que desponta no seu abraço, qual terno e radiante amor. As montanhas estão surgindo fora do João, mas no interior da sua Identidade. As nuvens, as montanhas, e o João estão todos simultaneamente, e sem esforço, surgindo
nesta Identidade, o leitor desta página.

Tudo o que está surgindo surge neste inabalável EU SOU, que não é uma coisa ou um objeto ou uma pessoa, mas a receptividade ou clareira na qual todas as coisas e todos os objeto e todas as pessoas estão a surgir. Esta vacuidade, esta receptividade, este grandioso espaço é a sua Identidade, é O que você sempre tem sido, é O que você é antes dos seus pais terem nascido, é o
que você é antes de acontecer o Big-Bang.

Antes de Abraão ser, EU SOU.
Não há um antes e um depois para este instante presente, que a Identidade é.
Só existe este instante, agora, da Identidade que está lendo esta página neste preciso momento.
Não há um passado e um futuro neste interminável instante.
Todos os antes e todos os depois surgem nesta consciência. Só existe esta sempre-presente, nunca-iniciada, nunca-terminada, não-nascida, imperecível, beleza radiante que está ciente desta página, que está ciente deste universo, e que encontra todos estes NO espaço que em si mesma é, e por isto, todas as coisas surgem na Paz inabalável que as sustenta facilmente com o seu amparo.

O João existe no universo; o universo existe na sua Identidade.
Por isso, sê esta sempre-presente Identidade que está lendo esta página. Não estou dizendo isso ao João, estou falando para ti; deixa o João aparecer e desaparecer como qualquer objeto.
Permite que o João apareça, fique por um pouco, e parta: o que tem isto a ver com a sua Identidade? Todos os objetos aparecem, permanecem, e partem no vasto espaço e vacuidade
que está ciente deste momento, e este momento, e este momento, e este momento.
Ainda assim, este momento não tem fim, você na verdade nunca sentiu que o presente tenha chegado a um termo pois isso nunca acontece: o presente é a única coisa que é real: este instante imediato, presente, esta simples sensação de Ser, exatamente a mesma sensação-consciência na qual esta página flutua, e na qual o João flutua, e na qual as nuvens flutuam. Quando você sente este instante presente, nada encontra fora dele – não é possível vislumbrar o exterior deste instante intemporal, pois nada existe além dele. Este instante, e este e este é tudo quanto você conhece, e este instante imediato presente é simplesmente outro nome para a imensurável Identidade na qual surge o cosmos inteiro, uma radiante, rejubilante, extasiada dilatação de felicidade e um desejo de partilhar esta Alegria infinita com outra pessoa.

Porque esta página e as montanhas e as nuvens todas surgem na sua consciência, nada existe fora da sua Identidade. Que não existe literalmente nada exterior à tua Identidade significa que não existe literalmente nada que a possa ameaçar.

Uma vez que conheces esta Identidade, você conhece a Paz.
Porque você já é, diretamente, imediatamente, e intimamente um e idêntico a Aquele que está lendo esta página agora mesmo, você u conheces Deus agora mesmo, diretamente e imediatamente e inequivocamente e inegavelmente E porque conheces Deus agora mesmo, como a própria Identidade lendo esta página, você sabe que finalmente, verdadeiramente, profundamente está em casa, um lar que sempre diretamente tem conhecido e sempre tem fingido não conhecer.

Por isto, deixa de fingir. Reconhece que você é Deus.
Reconhece que você é Perfeição.
Reconhece que você é a própria Verdade que os sábios têm procurado há séculos.
Reconhece que você é Paz acima da inteligência.
Reconhece que está tão arrebatadamente feliz que teve de manifestar este mundo inteiro só para gerar o testemunho da beleza radiante que não podia conter só em e para ti mesmo.
Reconhece que a Testemunha desta página, a Identidade deste e todos os mundos, é o próprio e único verdadeiro Espírito que olha através de todos os olhos e ouve através de todos os ouvidos e se estende em amor e compaixão para abraçar os próprios seres que Ele mesmo criou numa extasiada dança que é o segredo de todos os segredos.
E reconhece que estás Só, que és literalmente o Único em todo o universo: não há outros para este Primeiro.

Há efetivamente outros para o João, mas tanto o João como os outros surgem na consciência que está lendo esta página, e esta consciência, esta Identidade, não tem um outro, pois todos os outros surgem nesta Identidade.
Primeiro sem segundo é O que está lendo esta página.
Portanto, seja esse Primeiro. E dá também um abraço meu ao João. "

2 comentários:

  1. Olá Lilian!
    Muito interessante este texto!
    Aliás,seu Blog,em geral,é muito valioso.
    Todos os dias "abro" neste Blog.
    Essa espécie de prática/alerteza ,neste escrito do Wilber aponta-nos algo como que: todos os 'objetos'na Consciência,são a própria Consciência disfarçada de objetos....O grande jogo cósmico.
    Valeu! Um abraço.
    SERgio

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    Respostas
    1. Oi Sérgio! Perfeita sua observação! Só existe a consciência, inclusive aquilo que chamamos de "objetos" são essencialmente consciência também!
      Unicidade apenas no aparente jogo cósmico...
      Fico feliz que o blog faça parte do seu dia.
      Abração prá ti também! :)

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