1 de julho de 2014

Torne-se Oceânico - Osho


"O cosmo é uma harmonia musical, mas não estamos em sintonia com ele. É necessário sintonizar. Essa sintonia torna-se possível se você se rende ao todo.

Por que o homem não está em sintonia com o infinito? Porque você vive de acordo com a sua própria mente e não de acordo com a mente do Todo. Lao Tzu chama a mente do Todo de Tao: a lei, a lei Cósmica.

Criamos nossas próprias leis: cada sociedade cria as suas próprias leis. Essas leis são artificiais. Não são universais, são locais. E por causa dessas leis, criamos uma vida artificial. Vivemos na sociedade de acordo com as regras da sociedade. A sociedade é uma ficção. Necessária, mas mesmo assim uma ficção. O homem criou muitas sociedades, muitas leis diferentes, leis contraditórias, mas a lei universal é uma. A menos que você se torne ciente de que está vivendo segundo planos artificiais, você não será capaz de se sintonizar com o infinito, o natural, o rit.  Os Vedas chamam de rit a lei suprema.

A lei suprema não é feita pelo homem. Ao contrário, nós é que somos feitos por essa lei. Nossas leis são nossas próprias ficções, produtos de nossa própria imaginação, de nossos próprios sonhos. Há duas possibilidades: você pode ser social ou pode ser universal.

Você pode construir a sua vida a partir de uma ficção social. (...)

Lembre-se de que a menos que você se conscientize das ficções sociais, dos jogos sociais... Eles são necessários; continue a jogá-los. Mas não seja sério em relação a eles. Represente-os; não se envolva com eles; permaneça destacado e desapegado. Lembre-se de que você não pode ter a bem-aventurança através deles. Só transcendendo-os é que essa possibilidade se torna real, porque só então você estará em busca da lei suprema, aquela que sempre existiu, aquela que não é criada pelo homem.

Quando o homem ainda não existia, a lei universal já estava presente.(...)
Como descobrir essa lei universal? Como saber que a lei eterna é essa que nos precedeu, que existia antes de nós e que continuará a existir depois de nós? Somos apenas ondas nesse oceano eterno: assim, de que modo podemos conhecê-lo?

Há três coisas que precisam ser lembradas e praticadas. Em primeiro lugar, torne-se novamente uma criança. Retorne ao ponto no qual você não era um ser social, no qual você era simplesmente natural. As crianças são como os animais, ou como as árvores, ou como as rochas, mas nós as destruímos. Nós as civilizamos, nós as mutilamos em todos os sentidos. Todo aquele que deseja estar em sintonia com o universo precisa voltar atrás. Você precisa jogar fora sua civilização, sua sociedade, seus hábitos cultivados e tornar-se natural como uma criança. (...)

Em segundo lugar, lembre-se de que você tem um passado profundamente enraizado, o peso do passado sobre você. Não o carregue; ponha-o de lado. O passado é o problema. E por causa desse passado sua mente se move para o futuro. O passado cria o seu próprio futuro; o passado projeta-se no futuro. Por causa desse passado e do futuro projetado, você perde o momento em que está aqui, o momento real, o momento eterno.

Lembre-se, o passado e o futuro não pertencem ao tempo; pertencem à mente. Não existem. O passado já não existe, a não ser na memória. O futuro ainda não existe, a não ser na imaginação. Nós dividimos o tempo em três partes: passado, presente e futuro. Mas o passado e o futuro não são partes do tempo; a divisão é falsa. Só o presente é tempo. Passado é memória; futuro é imaginação. O único tempo é agora.

Assim, a segunda coisa a ser lembrada é que, se você quer estar em sintonia com o infinito, fique com o agora. Não se mova para o passado, não se mova para o futuro. Viva cada momento; Esse momento é suficiente.
Se você puder estar aqui e agora, estará no eterno. O tempo é a porta para a eternidade. Se você se mover para o futuro, perde a porta.

Permaneça com o momento. Sempre que você percebe que sua mente está se movendo para o futuro ou para o passado, volte imediatamente para o presente. Faça alguma coisa, seja alguma coisa, no presente. Nós estamos sempre nos movendo para o futuro ou para o passado e continuamos perdendo a porta que está qui, agora. Isso tornou-se um hábito profundamente enraizado.

Em terceiro lugar, saiba que através do pensamento você não pode entrar em sintonia com o infinito. Só através do silencio, só através de uma consciência sem-pensamentos, de uma sensibilidade sem-pensamento, você estará em sintonia. O pensamento é a perturbação, a barreira porque, quando você está pensando, não está no universo. Está em sua mente, enclausurado.

Quando você não está pensando, não está enclausurado. Os muros desaparecem; você entra na existência. O pensamento é não-existencial. O não-pensamento...
Mas lembre-se: não-pensamento mais consciência. Você pode adormecer. Isto de nada adiantará. Não-pensamento e alerta. Nenhum pensamento na mente, nenhuma nuvem na mente, e alerta. Nesse momento desanuviado, nessa vigilância, você penetra na existência. Torne-se um com ela.
A onda torna-se oceano."
Osho em Pepitas de Ouro.

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