25 de julho de 2014

Religiosidade - Osho



"O ser humano precisa de uma nova prescrição, de uma nova Bíblia. E a novidade será esta: ela não será um livro, uma seita, ou uma igreja, mas uma qualidade - as pessoas podem ser religiosas. Não há necessidade de elas serem cristãs, hindus ou muçulmanas; elas podem ser simplesmente religiosas. Não há necessidade de qualquer adjetivo. A religiosidade pode tornar-se apenas um modo de vida. Uma pessoa religiosa caminhará de uma maneira diferente da não-religiosa. Qual será a diferença? A diferença será sua consciência.

Uma pessoa religiosa agirá de uma maneira diferente da não-religiosa. Sua ação virá a partir do amor. Uma pessoa religiosa natural, obviamente criará um tipo diferente de fragrância à sua volta - porque não haverá ego e, portanto, não haverá nenhuma nuvem à sua volta. Uma pessoa religiosa viverá uma vida luminosa; uma luz seguirá filtrando-se para fora do seu centro mais profundo. Uma pessoa religiosa será uma pessoa consciente - não cristã, hindu ou muçulmana.

E lhe digo que o dia para isso chegou. Nunca antes na história da humanidade houve um tal momento crítico, nunca as pessoas estiveram tão desenraizadas do passado, tão saturadas de todos os velhos conceitos, os velhos ídolos e as velhas ideologias. É a primeira vez, que as pessoas estão completamente saturadas. Esse é um bom sinal e de imenso valor, e simplesmente mostra que o salto quântico é possível agora: a religião pode ser tentada, pode ser feita uma tentativa.

O espírito do tempo está aprontando para receber a religiosidade - e isso pode acontecer somente quando o tempo estiver pronto, quando o espírito do tempo estiver pronto.

Até agora, o ser humano tem vivido um tipo de infantilidade. Deus era uma figura paterna ou materna; tratava-se de uma projeção de uma criança. A criança não pode viver sem um pai, sem proteção, sem mãos protetoras. Mesmo duas mãos não são suficientes, assim, os hindus dizem que Deus tem mil mãos - para protegê-lo. Isso simplesmente demonstra medo.

Agora, o ser humano não está mais com medo e não precisa de qualquer tipo de proteção. Pelo contrário, ele deseja entrar no desconhecido e ser aventureiro.

Ora, ir a lua nada mais é do que a indicação do espírito aventureiro. Na verdade isso não tem utilidade. Ir ao Everest não tem utilidade - não se pode viver lá e não há nada para ser encontrado. Mas em todas as direções e dimensões o estado aventureiro está tomando conta do espírito humano. O ser humano deseja penetrar na insegurança, por isso digo que o espírito do tempo está pronto. 

Agora podemos procurar um Deus que não seja uma figura paterna, que não seja uma pessoa. Agora estamos prontos para procurar pela verdade de Deus, que somente pode ser encontrada através da verdade da consciência; não há outra maneira. Você pode perceber somente aquilo para o qual você está pronto. Quanto mais consciente você estiver, mais altas as realidades que estarão disponíveis a você. Quanto mais alto você se elevar em sua consciência, mais as realidades superiores se tornarão disponíveis a você. Você estará posicionado no cume mais elevado: a partir daí tudo é disponível. Deus é revelado como totalidade.

Sufismo, Zen, Hassidismo - esses são os tipos mais elevados de religiões que existiram até o momento. (...)
Agora o sannyas é um esforço para juntar tudo o que é belo no Sufismo, no Zen, no Hassidismo, no Tantra, Yoga. Tudo o que é belo em todas essas grandes aventuras precisa se tornar a base do sannyas. Ela pode liberar a religiosidade ao mundo, pode fazer com que seja possível dar uma chance à religiosidade. (...)
O ser humano sofreu o suficiente! Mas lembre-se o sofrimento não está vindo dos capitalistas, senão o comunismo teria ajudado. O sofrimento não está vindo de fora, mas é criado pelo próprio ser humano. Assim, as raízes do ser humano precisam ser mudadas, e as chaves estão disponíveis, sempre estiveram disponíveis, porém não foram usadas. (...)


Para a pessoa penetrar na religiosidade ela terá de abandonar sua religião, sua contenda. A pessoa deve estar completamente livre das contendas. Não se pode ir à verdade como um cristão, muçulmano ou comunista. Não se pode ir à Deus com qualquer ideia própria. Pode-se ir somente em pura e completa nudez, pode-se ir somente como um espelho."
Osho em A Sabedoria das Areias vol 3

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