16 de agosto de 2013

Todo lugar é Mudança - Osho


"Consumir a mudança através da mudança."

Este sutra diz que tudo é mudança: Eis aqui a esfera da mudança... Toda a filosofia de Buda está baseada neste sutra. Buda diz que tudo é um fluxo, mudando, não permanente, e que isso deve ser conhecido. A ênfase de Buda é tanta nesse ponto que toda a sua visão é baseada nisso. 

Ele diz: 'Mudança, mudança, mudança: lembre-se disso continuamente'. Por que? Se você puder lembrar-se da mudança, o desapego desaparecerá. Como você pode estar apegado quando tudo está mudando?

Você olha para um rosto; ele é muito belo.

Quando você olha para um rosto que é muito belo, existe uma sensação de que ele vai permanecer. Compreenda isso profundamente. Nunca espere que isso vá permanecer. Mas se você sabe que isso está mudando depressa, de que isso é belo neste momento e que pode ser feio no próximo, como você pode sentir algum apego? É impossível. Olhe para um corpo: ele está vivo; no próximo momento ele estará morto. 

Tudo é em vão, se você sentir a mudança. (...)

Este sutra é belo. Ele diz, consumir a mudança
através da mudança. Mas Buda nunca diria essa segunda parte. A segunda parte é basicamente tântrica. Buda diria que tudo é mudança; sinta isso e então você não vai se agarrar a isso. E quando você não se agarra a isso, pouco a pouco, deixando tudo que muda, você cai dentro de si mesmo, no centro onde não há qualquer mudança. 

Simplesmente vá eliminando mudanças e você chegará ao não movimento, ao centro, o centro da roda. É por isso que 

Buda escolheu a roda como símbolo de sua religião: porque a roda move, mas o centro no qual ela move, permanece sem movimento. Assim a sansara - o mundo - move como uma roda. 

A sua personalidade move como uma roda e a sua essência mais interna permanece no centro em torno do qual a roda move. O centro permanece sem movimento.

Buda dirá que a vida é movimento. Ele concordará
com a primeira parte do sutra. A seguinte, a segunda parte, é tântrica: consumir a mudança através da mudança. 
O Tantra diz: não abandone aquilo que está mudando; mova-se com isso. Não se agarre, mas mova-se. Por que ter medo? 
Mova-se com isso, viva isso. Permita que isso aconteça e mova-se com isso. Consuma a mudança através da mudança. 

Não fique com medo, não escape. Para onde você vai escapar? Como você pode escapar? Em todo lugar existe mudança. O Tantra diz que todo lugar é mudança. Para onde você vai escapar? Para onde você pode ir?

Para onde você for, a mudança estará lá. Todo
escape é em vão, assim, não tente escapar. Então o que fazer? Não se agarre. Viva a mudança, seja a mudança. Não crie qualquer problema com ela. Mova-se com ela. O rio está fluindo, flua com ele. Nem mesmo nade. Deixe que o rio leve você. Não brigue com ele, não desperdice a sua energia brigando com ele, simplesmente relaxe. Esteja relaxado e mova-se com o rio.

O que acontecerá? Se você puder mover-se com o
rio, sem qualquer conflito, sem qualquer direcionamento de sua parte, se a direção do rio é a sua direção, de repente você se tornará consciente de que você não é o rio. Sinta 
isso. Algum dia tente isso num rio. Vá lá, relaxe e permita que o rio leve você. Não brigue, torne-se o rio. 

De repente você perceberá que o rio está por toda volta, mas você não é o rio.
Brigando, você pode esquecer isso. É por isso que o Tantra diz, consumir a mudança através da mudança. 
Não brigue. Não há necessidade, porque em você a mudança não consegue entrar. Assim, não fique com medo. Viva no mundo. Não tenha medo, porque em você o mundo não consegue entrar. Viva-o. Não escolha este caminho ou aquele.

Existem dois tipos de pessoas: uma que se agarra
ao mundo de mudanças e outra que escapa. Mas o Tantra diz que isso é mudança, assim, agarrar é em vão e escapar também. O que adianta? Buda diz, 'O que adianta permanecer no mundo de mudanças?' e o Tantra diz, 'O que adianta escapar dele?'

Ambos são em vão. Ao invés disso, permita acontecer. Não esteja preocupado com a mudança; ela está acontecendo e você nem mesmo é necessário para que ela aconteça. Você nem estava aqui e o mundo estava mudando; você não estará mais aqui e o mundo continuará mudando. 

Então, por que criar tanto estardalhaço a respeito disso?
Consumir a mudança através da mudança. Essa é uma mensagem muito profunda.(...)
Não brigue, esteja relaxado, porque a briga cria tensões, cria ansiedade, angústia e você ficará desnecessariamente perturbado. Permita ao mundo ser como ele é.

Existem dois tipos de pessoas. Um tipo é
daquelas pessoas que não permitem ao mundo ser como ele é. Elas são chamadas revolucionárias. Elas irão mudá-lo, elas irão lutar para mudá-lo. Elas destruirão toda a sua vida mudando-o, enquanto ele já está mudando. Elas não são necessárias. Elas simplesmente irão consumir a si mesmas. 

Eles vão se acabar mudando o mundo, e o mundo já está mudando por si mesmo. Na verdade, nenhuma revolução é necessária. O mundo é uma revolução, ele está mudando.

Um tipo de personalidade sempre tenta mudar o
mundo. Aos olhos da religião ele é neurótico. Na verdade, ele tem medo de se aproximar de si mesmo, daí ele vai adiante e se torna obcecado com o mundo. O estado tem que ser mudado, o governo tem que ser mudado, a sociedade, a estrutura, a economia, tudo tem que ser mudado. E ele morrerá e nunca terá tido um momento de êxtase no qual ele pudesse conhecer quem ele era, e o mundo continuará e a roda seguirá em movimento. Muitos revolucionários já viveram e o mundo continua em movimento. Você não consegue parar a mudança, nem consegue acelerá-la.

Essa é uma atitude dos místicos: eles dizem que
não há qualquer necessidade de mudar o mundo. Mas os místicos são também de dois tipos. Um dirá que não há qualquer necessidade de mudar o mundo, mas existe uma necessidade de mudar a si mesmo. Ele também acredita em mudar, não mudar o mundo, mas a si mesmo.

Mas o Tantra diz que não há necessidade de mudar
coisa alguma, nem o mundo nem si mesmo. Este é o centro mais profundo do misticismo. Você não precisa mudar o mundo nem precisa mudar si mesmo. Simplesmente basta saber que tudo está mudando, flutuar na mudança e relaxar na mudança.(...)

O Tantra diz, esqueça isso. O mundo já está mudando e você também já está mudando. A existência é mudança, assim, não se preocupe com isso. Isso já está acontecendo sem você; você não é necessário. Simplesmente flutue nisso, sem qualquer ansiedade quanto ao futuro, e, de repente, em meio às mudanças, você se tornará consciente de um centro dentro de você que nunca muda, que permaneceu sempre como ele é, o mesmo.

Por que isso acontece? Porque se você estiver
relaxado, o plano de fundo da mudança dará a você o contraste e através dele você poderá sentir a não mudança. Se você estiver em qualquer esforço para mudar o mundo ou si mesmo, você não conseguirá ver o pequeno centro sem movimento dentro de você. Você está tão obcecado com mudança que não é capaz de dar uma olhada naquele ponto.

A mudança está por toda volta. Você relaxa e a
mudança torna-se o plano de fundo, o contraste. E assim, não há qualquer futuro em sua mente, nenhum pensamento futuro. Você está aqui e agora, este momento é tudo. Tudo está mudando e, de repente, você se torna consciente de um ponto dentro de você que nunca mudou. Isso é o que quer dizer consumir a mudança através da mudança.

Não brigue. Deixe que a morte se torne imortal,
através da morte deixe que a morte morra. Não brigue com ela. A atitude Tantra é difícil de ser concebida porque nossas mentes querem fazer alguma coisa e ela é um não fazer. Ela é um simples relaxar, um não fazer, mas esse é um dos segredos mais ocultos. Se você puder sentir isso, não precisa se preocupar com nada mais. Esta única técnica pode lhe dar tudo."
Osho em Tantra a Suprema Compreensão

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