26 de agosto de 2013

O Menino e o Elefante - Osho


"Eu ouvi uma história. Aconteceu numa aldeia...
O filho de um mendigo, era jovem, saudável - tão jovem e tão saudável que, quando o elefante do rei passava pela aldeia, ele simplesmente agarrava o rabo do elefante e o animal não era capaz de se mover.
Ás vezes era muito embaraçoso para o rei, porque ele ficava sentado sobre o elefante e todo o mercado se reunia e as pessoas riam. E tudo por causa do filho de um mendigo.
O rei pediu ao seu primeiro ministro: É preciso fazer alguma coisa, isso é um insulto. Fiquei com receio de passar por aquela aldeia e o menino às vezes vista outras aldeias também,em qualquer lugar ele pode agarrar a calda do elefante e ele não se moverá. Ele é tão forte, faça alguma coisa para esgotar sua energia.

O primeiro ministro disse: "Vou ter de consultar um sábio, porque eu não sei como esgotar sua energia. Não há nada para esgotar sua energia, porque ele é um mendigo. Se ele tivesse uma loja, sua energia poderia ser exaurida; se ele tivesse trabalhando como escriturário num escritório, a energia poderia ser esgotada. Mas ele não tem nada para fazer. Ele vive para se divertir, e as pessoas o adoram, e lhe dão comida e leite, por isso nunca lhe falta comida. Ele está feliz, ele come e dorme. Por isso é difícil, mas vou tentar."

Então, ele foi procurar um velho sábio. O sábio lhe disse: " Faça uma coisa, vá e diga ao rapaz que você vai lhe dar uma rúpia de ouro todos os dias se ele lhe prestar um pequeno serviço - e o serviço é muito simples. Ele tem que ir ao templo da aldeia e acender uma lamparina. Ele tem apenas que acender a lamparina, isso é tudo. E você vai lhe dar uma rúpia de ouro todos os dias"

O primeiro ministro disse: Mas como isso vai ajudar? Isso pode torná-lo ainda mais entusiasmado. Ele vai ter uma rúpia e vai se sentir cheio de energia. Ele nem mesmo se preocupará em pedir esmolas." 
O sábio disse: " Não se preocupe, basta fazer o que eu digo".
Isso foi feito, e na semana seguinte o rei passou com seu elefante, o menino tentou mas não conseguiu, não conseguiu parar o elefante. Ele foi arrastado por ele.

O que aconteceu? 
Surgiu a preocupação, surgiu a ansiedade. Ele tinha que lembrar durante 24 horas por dia que tinha que ir ao templo, todas as noites, e acender a lamparina. Isso se tornou uma preocupação, que dividiu todo o seu ser. Mesmo durante o sono, ele começou a sonhar que era noite: "O que você está fazendo? Vá e acenda a lamparina e pegue sua rúpia".

Então ele começou a guardar as rúpias de ouro - agora são sete, agora oito. Então, ele começou a calcular que dali a certo tempo, ele teria cem rúpias de ouro - e que essa quantia ia aumentar para duzentas; Entrou a matemática, acabou a diversão. E ele só tinha apenas uma pequena coisa a fazer, acender uma lamparina. Apenas um único minuto, nem mesmo um minuto, apenas uma coisa momentânea - mas tornou-se uma preocupação. E isso exauriu toda sua energia.

Se você está esgotado não é de admirar que a sua vida não seja divertida. Você tem tantos templos e tantas lamparinas para acender, tantos cálculos na sua vida, que ela não pode ser um divertimento. (...)

Sempre que você está dividido você fica sem forças, quando você fica sem divisões você é poderoso. Os desejos dividem você, a meditação não o divide. Os desejos o levam para o futuro, a meditação traz você para o presente.(...)

Sem forças, esgotado, você não pode estar em êxtase. Como pode dançar? Para dançar, você vai precisar de uma energia infinita. Exaurido como você pode cantar? Cantar é sempre um transbordamento. Morto como você pode orar? Somente quando você está totalmente vivo um agradecido brota do seu coração, uma gratidão. Essa gratidão é a oração."
Osho em o Barco Vazio

**
Sempre que a ansiedade, a expectativa, o desejo entram em ação, nossa energia é imediatamente dividida; isso porque, é a mente sendo alimentada, e todo o organismo perde em energia e vitalidade.
Quando estamos preocupados, ansiosos, nossos músculos estão contraídos, nossa respiração é curta e superficial, nossa mandíbula fica presa, e sem que nos demos conta estamos dispensando uma porção enorme de energia vital à todos os pensamentos que passam pela cabeça;

Essa mesma energia é toda ela circulante, pulsante, vibrante, quando estamos relaxados, e todos os nossos órgãos, músculos, sistemas recebem uma dose extra de vitalidade pela leveza e pela descontração.

É por isso que o riso, a alegria, são tão benéficos à saúde. Existe como que um rejuvenescimento generalizado quando a pessoa está alegre, solta, feliz, e todos os seus órgãos desfrutam dessa sensação maravilhosa.

O acúmulo de tarefas, obrigações, compromissos, podem até ser estimulantes num primeiro momento, mas acabam por comprometer o bom funcionamento do organismo, além das alterações do sono; e trazem sempre uma responsabilidade crescente, o que acaba por se tornar um círculo vicioso...

Osho neste belo texto nos chama atenção para isso. 
A vida cotidiana é voraz em se tratando de trabalho, compromissos e tarefas. Além de todo o stress urbano, existe sempre a "obrigação do mais e mais". Ter mais, ganhar mais, acumular mais... conquistar mais...
Isso deve ser revisto em nossas vidas com toda atenção.
Será que aquilo que realmente tem valor para nós, nos deixa felizes e cheios de energia? Reflitam sobre isso...

Todo o resto, deve ser revisto - e porque não - em algumas vezes mudado e descartado... 
O mais importante é COMO estamos vivendo. Dia a dia, momento a momento. Metas e objetivos são projeções da mente...
Não basta apenas viver, é importante estar VIVO de verdade...e a alegria, a leveza, diversão, a felicidade, são os verdadeiros sinais disso...
Amor
Lilian

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