12 de abril de 2015

Este instante - Nirmala




Porque recear este momento
quando não aparece o pensamento
finalmente repouso desnudo
nos braços da experiência.

Porque recear este momento
quando não aparecem as palavras
finalmente encontro descanso
no regaço do silencio.

Porque recear este momento
quando o amor se encontra sozinho
finalmente sou abraçado
pelo próprio infinito.

Porque recear este momento
quando desaparece o julgamento
finalmente minhas defesas falham
em manter a intimidade à distância.

Porque recear este momento
quando é perdida a esperança
finalmente meus sonhos insensatos
são devolvidos à perfeição.

Eu não sei o que dizer
Eu nunca sei o que dizer
Contudo há grande poder em não saber
Sabendo, jamais posso saber.

O mistério aumenta constantemente
Inundando meus sentidos do que é
o mistério fala sem palavras
tirando o fôlego
não deixando ar para as palavras.

No silencio não há lugar para dor ou alegria 
em escala ilimitada.

Não importa o que eu faço,
a mente julga
depois de julgar-se por julgar
é simplesmente o que faz a mente
quando a deixo fazer o que quer
surpreende-me ao parar.

E no interlúdio vazio,
a mente não encontra aderência
e cai sem esforço
no lago profundo do silencio
que nunca partiu.

O passado há muito se foi daqui,
não há retorno,
como poderia haver...

O presente é demasiado breve
para que desejos débeis tenham qualquer efeito,
exceto ocultar a paz..

O futuro corre eternamente inalcançável de desejos sonhadores
e projetos inúteis.
E contudo quando descanso no interminável agora,
cada necessidade é satisfeita de maneira jamais imaginada.

O quarto está deserto
não fossem estes olhos entristecidos
encontrarem refúgio no vazio..

Amigos vêm e vão
amantes vêm e vão
mas o próprio amor nunca oscila.

O vazio é meu refúgio
o vazio é meu lugar de descanso
para onde quer que me vire,
 espera-me o ilimitado...

Leva agora a tristeza
leva também a felicidade
deixa apenas a visão límpida.

O quarto ainda está vazio
não fossem estes olhos abertos 
encontrarem refúgio na plenitude.

em Gifts with no Giver: A Love affair with the Truth
Tradução de Margarida Maria Antunes

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