6 de novembro de 2014

Ensinamentos do Yoga Vasishta Sara - 2/2


"Bhagavan Sri Ramana Maharhsi tinha um apresso muito grande pelo Yoga Vasishta Sara, e o citava com frequência. Ele ainda incorporou seis versos para completar seus Quarenta Versos sobre a Realidade ( Sat-Darshanam). Assim como Ramana, outros estudiosos notáveis do século XX tinham grande apreço por esta jóia da Filosofia Advaita.

continuação...

6 - A meditação sobre o Ser

Eu, A Consciência pura, sem mancha e infinita, para além de maya, vejo este corpo em ação como o corpo de outro.

A mente, o intelecto, os sentidos etc, são todos um jogo da Consciência. São irreais e parecem existir somente devido a falta de discernimento;

Estou por cima de qualquer coisa; estou presente em todas as partes; sou como o espaço; sou aquele que realmente existe; sou incapaz de dizer nada além disso;

Que as ilusórias ondas do universo se elevem e caiam em mim, que sou o Oceano da Consciência infinita; não há em mim aumento nem diminuição.

Quão maravilhoso, que em mim, o oceano infinito da Consciência, ondas individuais (jivas) surjam e joguem durante um tempo e desapareçam de acordo com sua natureza.

O mundo que veio a existência, como causa da minha ignorância, igualmente se dissolveu em mim. Agora, experimento diretamente o mundo como a beatitude suprema da Consciência;


7 - O método de purificação.

Oh Raghava, seja externamente ativo, mas interiormente inativo; exteriormente um fazedor, mas interiormente um não-fazedor, e representa assim teu papel no mundo.

Queima o bosque da dualidade no fogo da convicção "eu sou a Consciência pura única" e permanece feliz.

Permanece sempre como Consciência pura, que é tua natureza constante verdadeira, mas além dos estados de vigília, sonho e sono profundo.

Não seja aquele que entende, nem aquele que é entendido; abandona todos os conceitos e permanece sendo o que és.

Quando fizer seu trabalho, faça-o sem apego, igual a um cristal que reflete os objetos que estão diante dele, mas se afeta por eles.

A convicção de que tudo é Brahman, o conduz a Libração. Rejeita completamente a ideia de dualidade, que é ignorância. Rejeite completamente;

8 - A Adoração do Ser.

O Raghava, aquele por meio do qual reconhece som, sabor, forma e cor, sabe que é seu próprio Ser, o Brahman Supremo, o Senhor dos senhores.

O conhecimento não está separado de ti, e aquele que é conhecido não está separado do conhecimento. De modo que não há nenhum sinal do Ser, e nada está separado Dele.

"Tudo é Brahman único, a Consciência pura, o Ser de tudo, indivisível e imutável" - medita desse modo.

"Não há nem eu nem nenhuma outra coisa. Só Brahman existe, sempre pleno de beatitude por todas as partes" - medita calmamente sobre isso.

9 - Exposição do Ser.

Quando tiver a firme convicção de que tudo é a Consciência semelhante ao espaço, o jiva chega a seu fim como uma lamparina de azeite.

Igual a um só rosto que é refletido como muitos em um cristal, ou na água, ou em um espelho, assim também o Ser único, se reflete em muitas mentes.

O Ser onipresente, é o substrato de tudo, não é diferente da Consciência refulgente, como o calor não é distinto do fogo. Só pode ser experimentado, não pode ser conhecido.

O Ser é Consciência absoluta. É puro, incorruptível, livre de todas as ideias de aceitação ou rejeição, e não limitado pelo espaço, tempo ou gênero.

Não há escravidão nem libertação, nem dualidade, nem não dualidade. Só há um Brahman, sempre brilhando COMO Consciência;

A ideia de uma Consciência e de um objeto de Consciência é escravidão; livrar-se dela é liberação; A Consciência, o objeto da Consciência e tudo o mais é o Ser; este é a essência de todos os sistemas de filosofia;

Aqui só existe Consciência; este universo não é senão Consciência; você é Consciência; eu sou Consciência; os mundos são Consciência; esta é a conclusão;

10 - Nirvana.

Depois de retirar tudo como "isso, não", "isso, não", a Entidade Suprema que não pode ser eliminada permanece. Pensa "eu sou isso", e seja feliz.

Quando se pensa "sou Consciência pura", a isso se chama meditação e quando se perde inclusive a ideia de meditação isso é samadhi.

O constante fluxo de conceitos mentais relativos a Brahman sem o sentido de "eu" adquirido através de uma intensa prática de auto-investigação (jnana) é o que se chama de samprajnata samadhi ( meditação sem conceitos ).


Aquilo que é imutável, auspicioso e tranquilo, aquilo no qual este mundo existe, aquilo que se manifesta como os objetos imutáveis e imutáveis, isso é a Consciência pura."

Extratos do Yoga Vasishta Sara - atribuído a Valmiki autor do Ramayana

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