5 de novembro de 2014

Ensinamentos do Yoga Vasishta Sara 1/2


Bhagavan Sri Ramana Maharhsi tinha um apresso muito grande pelo Yoga Vasishta Sara, e o citava com frequência. Ele ainda incorporou seis versos para completar seus Quarenta Versos sobre a Realidade ( Sat-Darshanam). Assim como Ramana, outros estudiosos notáveis do século XX tinham grande apreço por esta jóia da Filosofia Advaita.

1 - Desapego

Mesmo o menor pensamento, mergulha o homem em sofrimento; quando vazio de todos os pensamentos, goza de felicidade imperecível.

Da mesma forma que experimentamos a ilusão de centenas de anos em um sonho que dura uma hora, experimentamos a piada de Maya em nosso estado desperto.

Feliz o homem cuja mente é internamente fria e livre do apego e do ódio, e que contempla este mundo como um mero observador.

Quando os vasos, etc, são quebrados, o espaço interno torna-se ilimitado. Assim também, quando o corpo deixa de existir, o Ser permanece eterno e desapegado.

Nada nasce nem morre, em parte alguma em nenhum momento. É somente Brahman que ilusóriamente parece sob a forma do mundo.

O Ser é mais extenso que o espaço; é puro, sutil, incorruptível e auspicioso. Sendo assim, como poderia nascer ou morrer?

2 - Irrealidade do mundo

Assim como as árvores nas margens de um lago, refletem a água, assim também todos estes objetos variados são refletidos no grande espelho da Consciência.

Esta criação, que é um mero jogo da Consciência; surge como a ilusão de uma serpente em uma corda ( quando há ignorância ) e termina quando existe o conhecimento correto.

Similarmente, cidades, casas, montanhas, cobras etc, são todos aos olhos do homem ignorante, objetos separados. Do ponto de vista do absoluto, o mundo objetivo é o Ser mesmo. Não existe qualquer separação.

Como nuvens que aparecem de repente no céu claro e de repente se dissolvem, todo o Universo inteiro aparece no Ser e também nele ( no Ser ) se dissolve.

Da mesma maneira que a vasilha retorna à terra, as ondas à água e os ornamentos ao ouro,  assim também este mundo surgiu do Ser e finalmente a ele retornam.

É somente nosso esquecimento do Ser invisível que faz surgir o mundo, assim como a ignorância da corda, faz com que apareça a serpente.

3 - Sinais daquele que é liberto.

Igual a um cristal não se mancha pelo que reflete nele, assim, um conhecedor da verdade não se vê realmente afetado pelo resultado de seus atos.

Como uma vasilha vazia no espaço, o conhecedor da Verdade está vazio tanto por dentro como por fora, e ao mesmo tempo está pleno dentro e fora, como uma vasilha imersa no oceano.

Aquele a quem nem gosta nem desgosta dos objetos que vê, e atua no mundo como quem está dormindo, se diz uma pessoa liberada.

A ideia do Ser e do não Ser é escravidão. O abandono dessa ideia é liberação. Não há nem escravidão nem liberação para o Ser sempre livre.

Oh Rama, não há intelecto, não há ignorância, não há mente e não há alma individual (jiva). Tudo é imaginado em Brahman.

Para quem está estabelecido no infinito, Consciência pura, beatitude e não dualidade sem qualificar, onde está o dilema da escravidão ou da liberação, posto que não há segunda entidade?

4 - A dissolução da mente.

A Consciência que não está dividida, se imagina objetos desejáveis e corre atrás deles. É então conhecida como a mente.

Deste Senhor Supremo onipresente e onipotente surgiu como ondas na água, o poder de imaginar objetos separados.

Quando se dissolve a mente, tudo o que é dual ou único se dissolve. O que resta depois disso é Brahman Supremo, pacífico, eterno e livre da miséria.

5 - A destruição das impressões latentes.

Igual a uma miragem de água não acontece a quem sabe, assim as impressões latentes não surgem naquele cuja ignorância foi demolida ao compreender que tudo é Brahman.

Se se compreende a unidade das coisas em toda parte, sempre permanece tranquilo, interiormente frio e puro como o espaço sem sentimento do 'eu'.
[continua...]

Extratos do Yoga Vasishta Sara - atribuído a Valmiki autor do Ramayana

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