4 de agosto de 2014

Singularidade e Iluminação - Osho


"Todos são únicos, mas não um Buda, um Cristo, um Krishna, eu. Para ser único, primeiro você precisa ser. Um Buda é alguém que desapareceu, que não é mais; como ele pode ser único? Não há possibilidade.

A iluminação é a mesma, seu sabor é o mesmo; Sempre que ela acontece é a mesma verdade. Ela não tem singularidade em si, não pode ter, não há condições para isso. Doenças podem ser únicas, não a saúde. Saúde é simplesmente saúde. Você pode ter sua própria doença específica, sua própria maneira de ser doente; o outro pode ter outra maneira. Existem milhões de doenças no mundo - pode-se escolher - mas a saúde é simplesmente uma, não existem milhões de saúdes no mundo. No momento em que você começa a abandonar suas doenças, você começa a abandonar também sua singularidade; Uma pessoa realmente saudável não tem singularidade sobre a sua saúde. Como ela pode ter? Ela é saudável.(...)

Buda é um zero, ele não existe. Seu não-existir é o seu estado búdico. Se você compreender isso o paradoxo desaparecerá. O paradoxo surge porque você pensa nos mesmos termos em que pensa sobre si mesmo. Digo repetidamente que você é único. Jamais houve você antes; como você jamais houve uma única pessoa; você é tão doente que pode somente ser único. Jamais haverá novamente uma pessoa como você; a impressão de seu polegar é apenas sua.

Mas não estou dizendo isso sobre um Buda, estou dizendo isso sobre você. Todos os loucos são únicos. Uma vez sãos, a singularidade desaparece. A própria ideia de ser único é parte da insanidade. Trata-se de uma viagem do ego. (...)

Todos, exceto Budas são únicos. Eles não são computados como "todos" pois eles não são mais "todos", eles são tudo. Agora eles são parte da totalidade e não têm essa ideia de separação.

Portanto, na união não pode haver mais singularidade. Ela é muito comum; sempre foi a mesma, sempre será a mesma. Por isso, aqueles que procuram a iluminação não podem fazer viagens do ego. Procurar a iluminação é cometer suicídio no que se refere ao ego. E individualidade, atman, nada mais são do que nomes diferentes para o ego, belos nomes. Ego parece um pouco feio, e quando você o chama de 'eu' ele parece um pouco melhor, quando você o chama de atman, ele se torna muito sagrado, mas ele é o mesmo, a mesma entidade.

A iluminação é o desaparecimento do ego, da individualidade, da separação. Da mesma forma que o Ganges cai no oceano - singularidade ele pode ter? Ele era único, tinha sua própria forma, sua própria cor, sua força; ele era diferente de qualquer outro rio. Mas quando ele cai no oceano, que singularidade ele pode ter agora? Todos os outros rios estão caindo - o Amazonas, o Tâmisa - desaparecendo no oceano e ficando salgados. Assim é a iluminação ... o rio desaparece no oceano. (...)

Essa ideia de singularidade é parte da patologia da mente humana. A iluminação é completamente comum. Esta é a sua extraordinariedade.
Nesta vida tudo é especial, particular, único, exceto a iluminação. Esta é a sua singularidade. (...) Não que você possa comparar dois Budas; a comparação não é possível. Quando o rio entra no oceano, não há possibilidade de qualquer comparação. O rio não existe mais, somente o oceano existe.(...)

Quando você se ilumina, você vem a conhecer a unidade de tudo, mas o seu mecanismo permanece com você. Você não está mais identificado com o mecanismo, com a sua mente, com o seu corpo. Você sabe que você é transcendente, mas o corpo e a mente estão presentes. Você apenas reconhece o fato de que você não é seu corpo-mente, que você é total. Agora, se você deseja expressar esta experiência, terá de usar a mesma mente e o mesmo corpo que estava usando antes da iluminação. Você não tem outro instrumento para usar, daí a singularidade.(...)

Cristo, Buda e Krishna não são únicos em suas experiências, mas o são em suas expressões. A expressão é deste mundo; ela está traduzindo a outra realidade para esta realidade. (...)

Esta é a singularidade; a expressão é única. Se você era um poeta e se torna iluminado é claro que cantará uma canção. Mas se você jamais foi um poeta e você se ilumina então é impossível você cantar uma canção. Se você era pintor, você pode pintar. Os mestres Zen pintam belas coisas, essa é a maneira deles se expressarem. (...) Depende de você. A expressão dependerá de como você era antes da iluminação, pois todo o seu mecanismo estará pronto para expressá-la, este é único mecanismo que se pode ter.

Sou diferente em minha expressão. A maneira que faço é a minha maneira, mas isso não significa que a minha iluminação tenha sido de alguma forma diferente da de Cristo, Krishna, Buda. Ela é a mesma, logo, não há paradoxo."
Osho em A Sabedoria das Areias vol III

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