1 de maio de 2015

Osho fala sobre Rumi 2/2


"Os seguidores de Rumi não têm grandes escrituras, não têm rituais, exceto o turbilhão, além de alguns belos poemas de Jalaluddin Rumi, que ele costumava dizer depois de rodopiar e cair. Ele se levanta e está tão embriagado - e nessa embriaguez, entoa uma canção, e essas canções foram reunidas. É a única literatura de que dispõem os seguidores de Rumi.

Rumi diz: Nós somos o espelho - é o que tenho dito literalmente; que não somos aquele que faz, somos apenas o espelho. Não se identifique com os seus atos; seja sempre uma testemunha, apenas um observador. Mas as coisas mais essenciais da vida não nos são ensinadas; ensinam-nos as coisas mais estúpidas. O mais essencial é a arte da observação.

Rumi está certo; ele diz: Nós somos o espelho, assim como o rosto que nele se reflete. Somos o observador e o observado. Não existe separação entre nós e a vida. Somos parte de um todo, exatamente como minhas duas mãos fazem parte de uma unidade orgânica. Depende de mim que elas entrem em luta uma com a outra. E depende de mim que vivam amistosamente, amorosas e afetuosas uma com a outra. Posso golpear uma mão com a outra e feri-la.

Ao observar a árvore ou a lua, o rio, o oceano, você é o espelho e também o que é espelhado. É uma mesma existência; É esta conclusão básica de todos os místicos, de que toda a existência é uma única entidade, não existe dualidade. Bem lá no fundo, toda dualidade é unida numa única existência.

Nós somos o espelho, assim como o rosto que nele se reflete.
Estamos sentindo o gosto neste minuto de eternidade.

Simplesmente observe bem, neste minuto. Neste silencio, você sente o gosto de algo que está além do tempo. Estamos sentindo o gosto deste minuto de eternidade. Nós somos dor e o que cura a dor, ambas as coisas. Somos agonia e somos êxtase; Somos céu e somos inferno, pois não existe contradição na vida. Está tudo junto. Somos a deliciosa água fresca e o jarro que a verte.

Muitas contradições podem ser encontradas na vida. E também se pode ver que elas são complementares. É uma coisa muito estranha, o fato de que todos os místicos, tenham nascido há milhares de anos ou estejam ainda vivos hoje em dia, concordam essencialmente quando aos pontos essenciais do crescimento e da realização espirituais.
Por exemplo: o silêncio, neste minuto, não lhe fornecem uma explicação - mas lhe fornece uma experiência; dançar e cantar faz com que fiquemos tão tomados, que não fica nada para trás. E entramos no templo de Deus, onde somos o espelho e o rosto que nele se reflete; onde somos aquele que busca e somos buscadores; onde somos o devoto e somos o Deus a cujos pés nos ofertamos.(...)

Conta-se que algumas pessoas foram caçar e encontraram o campo de Jalaluddin Rumi. Por simples curiosidade, olharam para dentro das portas. Era um jardim murado, e ali perto cem discípulos rodopiavam com Jalaluddin Rumi. Essas pessoas pensaram : São todos loucos! Quem foi que disse que rodopiando é possível alcançar a verdade? Em qual escritura, em qual religião está escrito isso? Não existe nenhum registro a respeito. Esse homem é um louco, e está enlouquecendo muitos jovens.

E seguiram em frente. Caçar era muito mais importante. Com toda evidência, era algo muito mais equilibrado que dançar com Jalaluddin Rumi.

Depois da caça, eles retornaram. Por simples curiosidade pelo que acontecera aos homens-turbilhão, voltaram a dar uma espiada. E foram surpreendidos: aquelas cem pessoas estavam sentadas em silêncio debaixo das árvores, com olhos fechados, como se não houvesse ninguém - silêncio absoluto; dava para ouvir o vento soprando entre as árvores.

E os caçadores disseram: Pobres coitados...acabou. É o que acontece rodopiando : a energia se vai toda embora; agora estão ali sentados como se estivessem mortos; talvez alguns deles já estejam mesmo mortos.

Você pensa que eles começaram a discutir se aquelas pessoas haviam alcançado a verdade? Se ficar sentado daquele jeito com os olhos fechados... Qual a necessidade de rodopiar? Bastava sentar logo no início. E foram embora.
No mês seguinte, voltaram todos para nova caçada. Mais uma vez, por simples curiosidade... Que terá acontecido àquelas pessoas? Será que morreram realmente, ou ainda estão sentadas lá, ou se foram? Que terá acontecido?
E deram uma espiada. Não havia ninguém, só Jalaluddin Rumi lá estava sentado. Eles acharam graça. Disseram: Todo mundo fugiu; devem ter entendido que esse homem é um louco, Ele quase os estava matando, com toda essa dança e esse rodopio. Parece que ele entende mesmo do riscado, 36 horas sem parar... qualquer um estaria morto a essa altura! Nada de intervalo para o café, o chá, simplesmente ficar rodopiando sem parar...

Resolveram então entrar e perguntaram a Jalaluddin Rumi: O que aconteceu a seus discípulos? Passamos aqui a um mês atrás e havia um grupo de pelo menos cem pessoas!
Jalaluddin Rumi respondeu: Eles dançaram, encontraram , absorveram e se espalharam pelo mundo para disseminar a mensagem.
E o que está fazendo? perguntaram.
Ele respondeu: Estou esperando a segunda leva. Minha gente se foi, mas voltará pra trazê-la."

Osho em Encontros com pessoas notáveis.

Um comentário:

  1. É fantástico Mevlana Rumi, ainda mais com o olhar de Osho.
    Obrigado por compartilhar.
    Namastê.

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