18 de dezembro de 2011

Felicidade e Humildade...


"O que e a felicidade?

Imaginar a felicidade como a materialização de todos os nossos desejos e paixões e, sobretudo, concebê-la unicamente de modo egocêntrico, é confundir a aspiração legítima de realizar-se interiormente com uma utopia que inevitavelmente leva à frustração.
Ao afirmar que "a felicidade é a satisfação de todos os nossos desejos" em sua "multiplicidade", "grau" e "duração", Kant a relega, desde o início, para o domínio do irrealizável.
Quando ele afirma que a felicidade é a condição de alguém para quem "tudo vai de acordo com seu desejo e sua vontade", temos que nos perguntar sobre o mistério pelo qual qualquer coisa poderia "ir" de acordo com os nossos desejos e vontade. Isso me lembra um diálogo que ouvi certa vez em um filme:
- Quero aquilo que me é devido.
- O que lhe é devido?
- O mundo, garoto, e tudo que há nele.

Mesmo se a satisfação de todos os nossos desejos fosse possível, isso não levaria à felicidade, mas à criação de novos desejos ou à indiferença e à repulsa ou até mesmo à depressão.

Por que a depressão? Se tivéssemos nos convencido de que a satisfação de todos os desejos nos tornaria felizes, o colapso dessa ilusão nos faria duvidar da própria existência da felicidade. Se eu tenho mais do que necessito e ainda assim não me sinto feliz, a felicidade deve ser inatingível.
Isso mostra bem a que ponto podemos chegar, iludindo-nos sobre as causas da felicidade.

O fato é que sem paz interior e sabedoria não temos nada do que é realmente necessário para sermos felizes.
Vivendo num movimento de pêndulo entre a esperança e a dúvida, a excitação e o tédio, o desejo e o cansaço, é fácil desperdiçar cada pedacinho da nossa vida sem nem mesmo notar, correndo para todo lado sem chegar a lugar algum.
A felicidade é um estado de realização interior, não a gratificação dos inesgotáveis desejos exteriores.(...)

O que é verdadeiramente a Humildade?

O conceito de humildade é muitas vezes associado ao desprezo por si mesmo, à falta de confiança nas próprias capacidades, à depressão ligada a um sentimento de impotência e até um complexo de inferioridade, um sentimento de menos-valia ou de não ser digno.
Isso é subestimar consideravelmente os benefícios da humildade, pois se a suficiência é o privilégio do estúpido, a humildade é a virtude fecunda daquele que sabe quanto ainda tem que aprender e a extensão do caminho a ser percorrido.

Diz S. Kirpal Singh: "A verdadeira humildade consiste em ser livre de toda a consciência do eu, o que implica em ser livre da própria consciência da humildade. O homem de fato humilde ignora a sua humildade". Na ausência do sentimento de ser o centro do universo, ele está aberto para os outros e se situa na perspectiva justa da interdependência."
Felicidade por Matthieu Ricard

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