9 de fevereiro de 2018

Sobre a não-dualidade - Jeff Foster


"Conheci realmente, nos últimos anos, muita gente para quem a não-dualidade se converteu em uma nova religião.

Eles creem que não tem um eu, que não há escolha e que tudo isso é apenas uma história, e repetem estas frases memorizadas interminavelmente.

Inclusive lutam com outras pessoas que não veem as coisas da mesma maneira!

Não podem ver que estão presos em um novo dogma, que não é a libertação de seu sofrimento, mas que simplesmente o justifica e inclusive o alimenta.

'Estou sofrendo, mas não há ninguém aqui sofrendo, e não a nada que possa fazer de qualquer forma, e não há escolha possível. E todos vocês são dualistas! E se você pensa que estou irritado, isso é apenas sua projeção. Aqui não há ninguém que se irrite.’

Trata-se de uma receita para a devastação e para cegueira profunda da verdade. E um conflito interminável.

O que em realidade estamos falando aqui - e o que venho assinalando - é do verdadeiro fim do sofrimento e do conflito, não como uma posição de duração determinada, mas como uma valente e radical abertura à vida.

Não como um refugio (como fala meu amigo Scott Kiloby) em um novo ponto de repouso mental não-dual, mas em um novo descobrimento do mistério.

Isto tem a ver com descobrir nossa total inseparabilidade da vida, com conhecermos a nós mesmos como a imensidão na qual cada pensamento, sensação, sentimento e som é um amigo bem-vindo.

Não estamos falando sobre a crença de que não há eu nem escolha, não estamos falando de novas conclusões, mas de chegar a reconhecer esta liberdade e repouso a cada momento, sem importar o que esteja acontecendo em nossas vidas.

Isto não é uma religião, mas um reconhecimento em tempo real. 

Um novo e curioso olhar para nossa experiência, sem conclusões, sem história, sem memória, inclusive sem a memória da não-dualidade."

Um comentário:

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