13 de julho de 2016

Confiança - Osho


"Se o Zen é o caminho da entrega, por que o ensinamento básico do Budismo é "seja uma luz para si mesmo"?

A entrega essencial acontece dentro de você, nada tem a ver com alguém de fora. A entrega essencial é um relaxamento, uma confiança - não se deixe enganar pela palavra. Em termos linguísticos, entregar-se significa render-se a alguém, mas em termos religiosos, significa simplesmente confiar, relaxar. É mais uma atitude que um ato - você vive por meio da confiança.

Deixe-me explicar. Você nada na água - vai até o rio e nada. O que acontece? Você confia na água. Um bom nadador confia tanto que quase se une à água. Não luta contra ela, não a agarra, não fica duro, tenso. Se ficar tenso, você se afogará; se ficar relaxado, o rio cuidará de tudo. É por isso que, quando alguém morre, o corpo flutua na água. Isso é um milagre.

Incrível! A pessoa viva se afogou e morreu no rio, e a pessoa morta simplesmente flutua na superfície. O que acontece? O morto sabe segredos sobre o rio que o vivo não sabia. A pessoa viva estava lutando. O rio era o inimigo. Ela tinha medo, não conseguia confiar. Mas, sem estar lá, como a pessoa morta poderia lutar? Ela está totalmente relaxada, livre de tensões, e de repente o corpo vem à tona. O rio cuida agora. Nenhum rio pode afogar uma pessoa morta.

Confiar significa não lutar; entregar-se significa não pensar na vida como o inimigo, mas como o amigo. Quando você confia no rio, de repente começa a se divertir. Surge um imenso prazer - você nada, apenas bóia ou mergulha fundo . Mas não está separado do rio - vocês se fundem, tornam-se um.

Entregar-se significa viver da mesma maneira que um bom nadador nada no rio. A vida é um rio. Você pode lutar ou flutuar; pode resistir ao rio e tentar nadar contra a correnteza ou flutuar com ele e ir aonde ele o levar.

Não se trata de entregar-se a uma pessoa; é simplesmente um modo de vida. Não é preciso um Deus a quem entregar. (...) Relaxe, entregue, não lute, aceite.

Se você sabe, não é uma questão de acreditar. Você acredita nas árvores? Acredita no sol que nasce todas as manhãs? Acredita nas estrelas? Não é uma questão de crença. Você sabe que o sol está lá, que as árvores estão lá. Ninguém acredita no sol - se acreditassem, você diria que é louco. Se alguém lhe dissesse: " Acredito no sol" e tentasse convertê-lo a acreditar, você diria: "Você está louco!".

A palavra budista "nirvava" significa simplesmente exalar, expirar - confiar. A confiança é um fenômeno muito, muito inocente. A crença é da cabeça, a confiança é do coração. Você simplesmente confia na vida, pois você é da vida, vive na vida e voltará à fonte. Não há medo. Você nasce, vive e morre - não há medo. Nascerá de novo, viverá de novo e morrerá. A mesma vida que lhe deu vida, pode sempre lhe dar ainda mais, então, por que ter medo? Por que se apegar a crenças? As crenças são criadas pelos homens, a confiança é criada por Deus. As crenças são filosóficas; a confiança nada tem a ver com filosofia. A confiança simplesmente mostra que você sabe que é amor. Não é um conceito de Deus, sentado em algum lugar no céu, manipulando e gerenciando. A confiança na vida infinita, em sua totalidade é mais que suficiente. Quando confia, você relaxa. Esse relaxamento é a entrega.

Agora, o zen é o caminho da entrega? Sim, religião em si é entrega relaxamento. Não se apegue a coisa alguma. O apego mostra que você não confia na vida."
Osho em A música mais antiga do Universo

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