10 de março de 2015

Consciência e imortalidade - Osho


Pergunta - O ser, o self em uma pessoa morre com a morte da pessoa; ou vive depois da morte em outro corpo?

Osho - Se você conhecesse a vida você nunca perguntaria isso. Conhecer a vida
autenticamente significa que você também sabe que é imortal. O conhecimento da imortalidade é intrínseco. Não é algo informado, de fora. Somente vivendo sua realidade, sendo total, você vagarosamente se torna consciente de sua imortalidade, da corrente de vida dentro de você. Você sabe que o corpo irá morrer, mas esta alma, a qual é a essência de toda a vida, não morre.

Na existência nada se destrói. E isso não é algo para acreditar, é científico, verdadeiro, que você não pode destruir nada. Você não pode destruir nem um
pequeno pedaço de pedra. Qualquer coisa que você faça irá permanecer em alguma outra forma. A ciência indaga dentro do mundo objetivo e descobre que até a realidade objetiva é imortal. 
A religião trabalha exatamente como a ciência no mundo interior e descobre que a dança da vida é intrinsecamente imortal.

Será bom lembrar Sócrates neste ponto porque ele não foi um homem de crença em nada. Se você tivesse perguntado a ele se sua alma iria sobreviver após a morte do corpo ele diria,"Deixe-me primeiro morrer porque a menos que eu morra, como eu posso dizer?"
E o dia que lhe foi dado veneno é um dos mais significantes dias na história do
homem. Seus discípulos estavam sentados em volta dele e ele estava deitado. Ele falou a seus discípulos,"Eu irei contar a vocês o que está acontecendo.Tão longe quanto eu puder, eu irei informando a vocês."

Então ele disse, "Acima de meus joelhos, minhas pernas estão mortas. Por favor, alguém belisque minhas pernas, assim posso saber se a sinto ou não." Alguém beliscou suas pernas. Ele disse, "Eu não posso senti-las; as pernas tinham morrido. Mas lembrem-se de uma coisa: Eu estou tão vivo como eu sempre estive. A morte das pernas não cortou uma parte da minha vida; minha vida está tão inteira quanto sempre foi." Então as pernas morreram, metade do corpo.
E ele disse, "Metade de meu corpo está morto, mas eu estou inteiro, tão inteiro
quanto sempre."
Então suas mãos se tornaram mortas e ele disse, "Eu ainda estou aqui e eu ainda estou inteiro. Talvez agora meu coração pare, mas eu posso dizer para vocês que ainda que eu não seja capaz de lhes informar, eu irei permanecer, porque se todas estas partes se foram e eu estou completo, então não importa: o coração é apenas uma parte."
E quando ele morreu seu rosto estava tão radiante, tão alegre, que Platão, seu
discípulo, lembra, "Nós nunca tínhamos visto seu rosto tão cheio de luz, tão radiante. Talvez o último momento quando a alma está deixando o corpo seja como o pôr do sol quando o sol está descendo e o céu inteiro se torna tão bonito e radiante."

Não é uma questão de crença. Eu não sou um crente em nada. 
Então eu não direi a você para acreditar em mim que a alma é imortal. Mas essa é a minha experiência que ela é imortal porque eu posso me lembrar de minhas vidas passadas, o que é uma prova sólida que haverá vidas futuras.

Você tem uma eternidade de passado e uma eternidade de futuro. Você sempre esteve aqui e você sempre estará. Mas primeiro derrube sua falsa personalidade. Cresça dentro de sua autêntica individualidade. Viva da forma que a existência quer que você viva. 

Suas muitas vidas deveriam ser tão intensas e tão totais que você queima sua tocha da vida nas duas pontas. Em tamanha intensidade você saberá que você tocou algo de eterno. E se você souber disso em sua vida, em sua morte você encontrará uma profunda confirmação do fato.

Pessoas que vivem na personalidade sempre morrem inconscientes. Eles nunca viveram.
Eles não sabem o que é consciência, então antes da morte eles se tornam inconscientes. Por isso nós não nos lembramos de nossas vidas passadas. Vocês estavam inconscientes, e a morte aconteceu em sua inconsciência. Mas se você vive conscientemente como um indivíduo então você morrerá conscientemente, da forma como Sócrates morreu, tão consciente até o último suspiro. E esta memória estará com você na próxima vida também.

No oriente há três grandes religiões: Hinduismo, Janaismo, Budismo. Elas
discordam em todos os pontos, suas filosofias são diferentes sobre tudo, mas
em um ponto elas concordam, que é a eterna existência da alma, porque isso não é uma questão de discussão teórica, é uma questão de experiência existencial. Você não pode discordar disso. Isso é exatamente assim.

Contra essas três religiões do oriente, fora da Índia, há três religiões: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Todas elas acreditam em uma única vida, o que simplesmente mostra sua pobreza. Elas não exploraram profundamente o suficiente para encontrar vidas passadas, e elas não garantem nada sobre o futuro. Essas três religiões nascidas fora da Índia são superficiais. Seu trabalho não é de pesquisa profunda. Mas na Índia por dez mil anos milhões de pessoas têm entrado em realização do self e têm percebido que há alguma luz que sempre permanece. Isso vai se movendo de um corpo para outro corpo, mas é indestrutível.
Eu não direi para você acreditar, eu somente direi a você para experimentar. Eu sou contra qualquer crença, porque toda crença destrói você. Eu sou a favor de experimentar. E há técnicas para isso.

Esse tem sido o trabalho de toda a minha vida: tornar estas técnicas disponíveis
para qualquer um que queira realmente buscar e encontrar, para aquele que não é apenas uma pessoa curiosa, mas sim alguém que busca e que está pronto para arriscar tudo nessa busca."
Osho em Eu sou a porta

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